Indústria farmacêutica: é confiável?

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Informações cruciais são escondidas para não influenciar o lado comercial

Por Lev Chaim, de Amsterdam
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Existem poucas publicações com pesquisas detalhadas de remédios. Informações cruciais são deixadas trancadas no armário para não influenciar os aspectos comerciais da questão. As mais importantes decisões são tomadas a portas fechadas e enviadas em segredo para o órgão que, em princípio, teria que controlar tudo sobre as pesquisas realizadas.

Quem disse isto foi o médico e publicista britânico, Ben Goldacre, em uma grande entrevista ao jornal britânico, The Guardian, e reproduzida na revista holandesa 360. São informações que também estão em seu livro, “Bad Pharma”(2012), onde ele coloca uma lupa sobre a integridade de muitas pesquisas da indústria farmacêutica.

O seu livro anterior, “Bad Science” (2008), em que ele examinou a irracionalidade de certos métodos alternativos de cura, já vendeu 400 mil exemplares.

São informações interessantes que envolvem a saúde de todos nós. Em outras palavras, as indústrias farmacêuticas filtrariam certos dados das pesquisas sobre as suas drogas antes de publicá-las oficialmente. Os médicos não são informados a respeito e os usuários muito menos. O aspecto financeiro fala mais alto.

Como exemplo, o médico citou o antidepressivo “Riboxetine”. Goldacre revelou que das sete etapas de testes do remédio,  comparando-o com um placebo,  apenas uma delas resultou em algo positivo para o produto. Os textos científicos que foram publicados mencionavam apenas os resultados desta única etapa que havia dado positivo e ignoraram as restantes.

A etapa dos testes que resultou em algo positivo, de acordo ainda com Goldacre, foi realizada com uma amostragem de apenas 507 pessoas. As outras seis, que não foram nada positivas para o remédio, haviam sido aplicadas em um montante três vezes maior, ou seja: 1.657 pessoas. Estes resultados foram totalmente ignorados pelo laboratório.

Também não teria sido mencionado que naquelas seis etapas secretas, muitas pessoas deixaram de fazer os testes com “Reboxetine”, porque não o toleraram. Isto sem falar ainda dos efeitos colaterais do remédio. E tudo isto apesar de muitas cobaias terem sido pagas pelo próprio laboratório.

E segundo ainda o médico britânico, os testes dos novos remédios são feitos pelos próprios fabricantes dos mesmos, muitas vezes com um número nada significativo de pessoas, visando quase sempre um sinal positivo para se seguir em frente com o novo produto.

E, finalmente, Goldacre acrescentou ainda que muitas das revistas científicas são patrocinadas pelas próprias indústrias farmacêuticas. Depois de saber de tudo isto, fiquei até com medo de ingerir qualquer tipo de remédio. E ai eu me pergunto: e os doentes crônicos, que dependem dos remédios? Ainda não encontrei uma resposta satisfatória.

*Lev Chaim é jornalista, publicista da empresa FalaBrasil, colunista e trabalhou 20 anos para a Radio Internacional da Holanda, país em que mora até hoje. Lev Chaim escreve às terças-feiras no Dom Total.

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Obesidade pode levar à deficiência de vitamina D, mas o contrário não ocorre

 

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Pesquisadores  estimam  que  cada  10%  de  aumento  no  IMC  leva  a  4,2%  de  queda  na  concentração  de vitamina D

 

 

 

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A obesidade pode levar à deficiência de vitamina D, mas a deficiência de vitamina D não leva à obesidade. Essa é a principal conclusão de um amplo estudo que analisou dados de 42.024 participantes de 21 pesquisas, publicado nesta terça-feira no periódico científico Plos Medicine.

English: A Collection of Articles on Disease M...

English: A Collection of Articles on Disease Mongering in PLoS Medicine Español: Portada del monográfico publicado en Public Library of Science – Medicine sobre promoción de enfermedades (Photo credit: Wikipedia)

Para os autores, a descoberta tem grande importância para a saúde pública,  uma vez que a obesidade vem crescendo em todo o mundo, o que indica que a deficiência de vitamina D também pode aumentar.

 

A vitamina D é produzida pela pele após a exposição ao sol, mas também pode ser obtida através da alimentação. Ela é encontrada principalmente em leite e derivados, além de peixes oleosos, como cação e salmão, ricos em ômega 3. A falta dessa vitamina pode causar, além de problemas ósseos, alterações na liberação de insulina e no controle da pressão arterial, por exemplo.

 

O estudo relacionou os principais genes ligados à obesidade com aqueles referentes à vitamina D, e a associação entre o aumento do índice de massa corporal (IMC – calcule aqui seu IMC) e a redução da vitamina D se mostrou muito consistente.  Os pesquisadores  estimam que cada 10% de aumento no IMC leva a 4,2% de queda na concentração de vitamina  D  mas,  por outro lado, a deficiência de vitamina D não exerce influência sobre o IMC.

 

“Nosso estudo sugere que uma intervenção a nível populacional para reduzir a obesidade poderia levar a uma redução na prevalência de deficiência de vitamina D”, afirmam os autores.

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/obesidade-pode-levar-a-deficiencia-de-vitamina-d-mas-o-contrario-nao-ocorre

 

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Sequenciamento do genoma: Novas pesquisas podem gerar aumento no número de abortos

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Ao tornar o diagnóstico de doenças genéticas mais precoce, o sequenciamento também daria às mulheres mais tempo e potencialmente mais razões para considerar um aborto. (…)  Vários Estados americanos vêm regulamentando o aborto de forma mais restritiva nos últimos anos. Quatro deles (Arizona, Oklahoma, Illinois e Pensilvânia) proibiram a prática por motivo de sexo ou raça (cor da pele) do bebê, e há várias iniciativas legais também para torná-la ilegal quando motivada por anomalias físicas ou genéticas.

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Herton Escobar, do Estadão

São Paulo – Uma das principais preocupações éticas relacionadas ao sequenciamento do genoma de fetos nos Estados Unidos é que isso conduza a um aumento do número de abortos ou, no sentido contrário, a um aumento das restrições legais ao aborto.

Isso porque, ao tornar o diagnóstico de doenças genéticas mais precoce, o sequenciamento também daria às mulheres mais tempo e potencialmente mais razões para considerar um aborto. A interrupção da gravidez é permitida no País até o sexto mês de gestação, por qualquer motivo.

“Se você detecta mais problemas mais cedo na gestação, a probabilidade de a mulher optar por um aborto aumenta”, diz Jaime King, professora de Direito da Universidade da Califórnia em Hastings, que publicou um artigo sobre o assunto no início deste mês, na revista Nature.

Vários Estados americanos vêm regulamentando o aborto de forma mais  restritiva nos últimos anos. Quatro deles (Arizona, Oklahoma, Illinois e Pensilvânia) proibiram a prática por motivo de sexo ou raça (cor da pele) do bebê, e há várias iniciativas legais também para torná-la ilegal quando motivada por anomalias físicas ou genéticas.

O caso mais emblemático é o da síndrome de Down, causada por uma cópia extra (trissomia) do cromossomo 21 no genoma do feto. Testes de sangue e imagens de ultrassom podem dar indícios da doença, mas um diagnóstico conclusivo, tipicamente, só pode ser obtido a partir da 16.ª semana, com uma análise genética do líquido amniótico (amniocentese) – procedimento invasivo, que carrega 1% de risco de perda da gravidez.

Novos testes genéticos não invasivos, baseados no DNA fetal que circula no sangue da mãe, porém, permitiriam diagnosticar a síndrome já na 10.ª semana.

Para Jaime, isso não é necessariamente um problema, desde que a decisão de abortar seja tomada de forma informada e consciente. A preocupação maior quando se olha para o genoma inteiro, segundo ela, refere-se a características genéticas menos determinísticas, como mutações pontuais que podem aumentar o risco de doenças que poderão se manifestar – ou não – somente na vida adulta.

“O que a maioria das pessoas teme é que as mulheres recebam informações equivocadas ou confusas e acabem decidindo por um aborto com base em conclusões erradas. Isso seria realmente trágico”, diz. “As pessoas são muito determinísticas. Seria muito fácil interpretar um risco como uma certeza de que algo ruim vai acontecer.”

Nesse ponto, diz ela, é essencial que a Food and Drug Administration (FDA) regulamente o uso de testes genéticos no período pré-natal, para garantir que eles só serão usados para obter informações que sejam confiáveis e clinicamente relevantes.

Indicação. Para a chefe do setor de Medicina Fetal do Hospital Albert Einstein, Rita Sanchez, testes genéticos só devem ser feitos quando há alguma indicação clínica que o justifique. “Talvez no futuro as pessoas queiram sequenciar o genoma sem indicação médica, mas não vejo muita vantagem nisso.”

Fonte: http://exame.abril.com.br/ciencia/noticias/novas-pesquisas-podem-gerar-aumento-no-numero-de-abortos?page=2

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CNPQ é condenado a ressarcir bolsista que passou meses sem receber

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A 4.ª Turma Suplementar do TRF/ 1.ª Região descartou as alegações de que dois bolsistas teriam descumprido os termos do contrato da bolsa de pesquisa. Determinou que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) pague, com juros e correção, valores referentes aos meses em que a bolsa de um dos pesquisadores foi suspensa.

O juízo de primeiro grau determinara o arquivamento dos processos administrativos movidos pela autarquia contra os bolsistas para o ressarcimento dos valores a eles pagos durante período em que deixaram de prestar dedicação exclusiva às obrigações contraídas contratualmente.

O CNPQ, em apelação, repisou os argumentos de que os apelados romperam o compromisso de exclusividade ao tomarem posse como professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) durante o período da bolsa de pesquisas. Por essa razão, demandou a devolução dos valores recebidos pelos pesquisadores.

O relator convocado, juiz federal Rodrigo Navarro de Oliveira, verificou nos autos que não há qualquer indício factual de que os autores deixaram de cumprir com as obrigações firmadas com o CNPQ. Inclusive, o Cepene/Ibama, órgão ao qual estavam vinculados por convênio, atestou que os pesquisadores “cumpriram horário de trabalho de 8 horas diárias (…), tendo excelentes níveis de assiduidade e desempenho”.

Para o relator, foi comprovado que os autores cumpriram integralmente as obrigações assumidas com o CNPQ e também a carga horária prevista; além disso, entregaram o trabalho final. Portanto não se justifica a devolução dos valores recebidos como bolsistas nem a suspensão dos pagamentos.

Não tendo sido demonstrada qualquer irregularidade que tenha prejudicado o desenvolvimento das pesquisas efetivadas, ou violação ao convênio firmado, a 4.ª Turma Suplementar concedeu, unanimemente, parcial provimento ao recurso dos bolsistas e negou provimento ao recurso de apelação interposto pelo CNPQ e à remessa oficial.

Processo: 0024146-96.1998.4.01.3400

Doenças negligenciadas pela indústria farmacêutica

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Os pesquisadores estimam que de 5 a 10 mil moléculas estudadas, apenas uma acaba gerando um novo fármaco no final do processo. A estimativa é de que o custo da entrada de um novo  no mercado chegue a 1,3 bilhões de dólares.
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Fonte: R7

Enfermidades como a malária, tuberculose, esquistossomose (” barriga-d’água” ), leishmaniose e hanseníase (” lepra” ), entre outras, não recebem atenção de laboratórios farmacêuticos devido ao custo das pesquisas. É o que apontam pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Com o objetivo de reunir esforços na busca de soluções no combate a doenças negligenciadas por pesquisas, cientistas da USP trabalham, desde 2009, com assuntos relacionados em um plano comum de ação, permitindo maior intercâmbio de conhecimento e colaboração entre as unidades acadêmicas empenhadas em estratégias de tratamento.

A professora Elizabeth Igne Ferreira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), participou da criação da rede, que chegou a reunir ao todo 100 pesquisadores da universidade. A iniciativa os possibilitou conhecer o que estava sendo pesquisado até então, permitindo melhor articulação entre os estudos. Segundo ela, estas doenças são pesquisadas na instituição sob diversos ângulos tais como epidemiologia, diagnóstico, patogenia, vacinas, fármacos e medicamentos, entre outros.

De acordo com a professora, uma das maiores dificuldades em sua área de pesquisa é o longo tempo que separa o início da seleção de uma molécula e a sua aplicação prática em um medicamento. “Há algumas moléculas promissoras, mas o caminho desde quando é encontrada, até o momento em que chega ao mercado pode levar até 15 anos”, afirma ela. Esse é um dos motivos pelos quais é importante buscar parcerias entre a universidade e as indústrias farmacêuticas.

Outro problema é que grande parte também não encontra viabilidade. Os pesquisadores estimam que de 5 a 10 mil moléculas estudadas, apenas uma acaba gerando um novo fármaco no final do processo. A estimativa é de que o custo da entrada de um novo medicamento no mercado chegue a 1,3 bilhões de dólares.
Fonte: http://www.parceirodasaude.com.br/?p=2300

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