Quando os transplantes de órgãos viram negócio

«a própria noção de humanidade está a ser menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos», afirma o The Guardian.

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2012/05/31/interpelacao-judicial-ao-cfm-a-uniao-e-ao-ministerio-publico-federal-para-esclarecer-a-irreversibiladade-da-morte-encefalica/

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31/05/2012 por Liliana Cardoso

Quando os transplantes de órgãos viram negócio

Agora que a crise económica é, quase sempre, apontada como explicação para as coisas negativas que acontecem, mais uma vez parece servir para explicar o crescimento do negócio (ilegal) dos transplantes de órgãos. Pessoas de países como a China e Irão recorrem à venda dos seus órgãos de modo a conseguirem ganhar dinheiro. No entanto, enquanto que no Irão a actividade é legal, na China sucede o contrário.

O comércio ilegal de órgãos – principalmente de rins – tem vindo a aumentar nos últimos anos  e a crise económica que se vive parece ser a explicação para os dez mil novos órgãos vendidos por ano que acabam a ser comercializados no mercado negro. Os dados são revelados pelo jornal britânico The Guardian que cita as informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo provas recolhidas por uma rede de médicos, os traficantes conseguem contornar as leis que pretendem reduzir o tráfico de órgãos humanos, conseguindo lucrar cada vez mais com a crescente procura de rins. Os dados estimam também que a cada hora seja vendido um órgão.

Grande parte dos doentes que precisa de um transplante de rim recorre a países como a Índia, Paquistão ou China, onde o valor pelo órgão novo pode chegar a custar 200 mil dólares. Os órgãos são quase sempre de pessoas vulneráveis e desesperadas por conseguirem ganhar algum dinheiro, mas que nunca recebem mais do que cinco mil dólares pelo seu órgão, segundo afirma o The Guardian.

As redes de tráfico de órgãos

As redes de trafico de órgãos tanto são compostas por traficantes como por médicos-cirurgiões. Há cerca de uma semana, em Israel, foram presas dez pessoas sendo que uma delas era médico. O homem é suspeito de fazer parte de uma rede internacional de tráfico de órgãos e foi acusado de extorsão, fraude fiscal e ofensas corporais graves. Também na Índia e no Paquistão foram descobertas outras redes que se dedicavam ao mesmo negócio.

O jornal The Guardian entrou em contacto com um traficante de órgãos na China que usava o slogan «Doe um rim, compre o novo iPad» para anunciar os seus serviços. Ele ofereceu 2,500 libras (cerca de 3,100 euros) por um rim e disse que a operação podia ser realizada no prazo de dez dias.

Negócios como este levaram a OMS a dizer que «a própria noção de humanidade está a ser menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos», afirma o The Guardian.

 O turismo de transplantes

De acordo com Luc Noel, médico e funcionário da OMS e responsável pela monitorização das tendências de doações legais e ilegais de órgãos humanos, houve uma diminuição no turismo de transplantes por volta dos anos de 2006 e 2007. Mas, mais recentemente, «o comércio [de órgãos] pode estar a aumentar novamente. Há sinais recentes de que essa será a tendência. Há uma necessidade crescente e muito lucro à vista», continua Luc Noel, citado pelo Guardian.

Os rins constituem 75% do comércio ilegal de órgãos. Índices elevados de diabetes, pressão arterial elevada e problemas de coração são os principais motivos que estão a levar a que a procura ultrapasse a oferta.

Segundo dados da OMS, de 107 mil órgãos que foram transplantados em 95 estados membros em 2010, incluindo transplantes legais e ilegais, cerca de 69% foram rins. No entanto, os cerca de 107 mil transplantes realizados apenas satisfazem 10% das necessidades globais. Luc Noel acredita ainda que um em cada dez dos de 107 mil órgãos transplantados foi adquirido através do mercado negro. O que significa que os «gangs de órgãos», como ele lhes chama, lucraram quase onze mil vezes em 2010.

O problema está enquadrado na Declaração de Istambul, assinada em 2008 por 100 países, contra a exploração de órgãos. Desde então, várias redes de médicos da OMS têm formado grupos com o objetivo de fazerem cumprir o documento. Luc Noel defende também que a falta de fiscalização ou mesmo a falta de legislação em alguns países, facilita a vida dos que convencem pessoas pobres e vulneráveis a comercializar um órgão.

O negócio na China e no Irão

A China é um dos principais países no que diz respeito ao negócio dos transplantes, sendo os de intuito comercial ilegais. O facto de o país ter uma grande escassez de doadores pode explicar o facto de entre um milhão de pessoas a precisar de um rim, apenas cerca de cinco mil o tenham conseguido em 2011.

Os rins são os órgãos mais requisitados na China. No entanto, a escassez faz com que sejam recolhidos órgãos de prisioneiros condenados. Mas em fevereiro deste ano o ministro da Saúde Huang Jiefu anunciou que este sistema vai ser abolido em 2017, devido ao alto risco de infeções. A China está também a ser mais prudente com a pena de morte. Em 2011 cerca de quatro mil prisioneiros foram executados, o que representa menos 50% do que em 2007.

Devido às dificuldades de conseguirem um rim de um dador e aos preços elevados – cerca de 20 mil dólares -, muitos pacientes recorrem ao tráfico de órgãos, a tal economia paralela.

O Irão continua a ser dos poucos países, se não mesmo o único, onde a compra e venda de órgãos é legal. A escassez de órgãos não existe, o que existe é excesso de concorrência para quem os quer vender.

Por isso, para anunciarem os seus «serviços», os vendedores escrevem o tipo de sangue e o número de telefone nas paredes ou em cartazes de ruas próximas do hospital de Teerão. Mas devido a elevada concorrência, muitos anúncios são destruídos. Uns acrescentam a sua informação na publicidade de outros dadores e colocando tudo nas portas das casas das pessoas. Outros escrevem nas árvores pensando que assim vão atrair mais rapidamente a atenção das pessoas. E assim se faz do corpo um bem material, sujeito às típicas leis do mercado…

Fonte: http://www.e-clique.com/destaque/quando-os-transplantes-de-orgaos-viram-negocio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=quando-os-transplantes-de-orgaos-viram-negocio
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Aumento do número de diabéticos faz comércio ilegal de rins crescer, diz OMS

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“O comércio de rins representa 75% do tráfico mundial de órgãos. Pacientes com diabetes e doenças cardiovasculares como a hipertensão desgastam demasiadamente seus rins e não raramente são obrigados a receber novos órgãos. Como a incidência desses males na população mundial vem se elevando, aumenta também a demanda por transplantes.

Números da OMS revelam que, em 2010, seus 95 países-membros conduziram mais de 106 mil operações de transplante. Ainda assim, as cifras atenderam a apenas 10% da real demanda do planeta. Desse montante, mais de 68% foram cirurgias envolvendo troca de rins. Noel especula que uma em cada 10 cirurgias naquele ano contaram com órgãos contrabandeados.”

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Na China mercado negro anuncia troca de órgãos por iPads

O crescimento do número de portadores de diabetes no mundo está produzindo um aumento do mercado de órgãos humanos. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (28/05) pela OMS (Organização Mundial da Saúde), países como China, Índia e Paquistão estariam recebendo pacientes dispostos a desembolsar até 200 mil dólares por rins contrabandeados, o que eleva para 10 mil o número de órgãos traficados anualmente mundo afora.

Entre as vítimas das quadrilhas que sustentam esse mercado negro estariam principalmente pessoas de condição financeira delicada, que aceitam vender seus órgãos por até menos do que cinco mil dólares.

O jornal britânico The Guardian entrou em contato com um comerciante de órgãos da China que divulga seus serviços a partir do slogan “Doe um rim e compre um novo IPad”. Ele teria oferecido 2500 libras por uma operação que ocorreria em, no máximo, 10 dias.

Diante desse aumento no tráfico de órgãos, a OMS declarou que a própria noção de humanidade está sendo menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos. A classe social predominante entre os “doadores” explicita o fator econômico que ronda o chamado “mercado das amputações”.

Na última semana, a polícia israelense prendeu dez pessoas suspeitas de pertencerem a uma ampla rede de comércio de órgãos. Além de causarem danos cruéis aos corpos de seus “pacientes”, os traficantes de origem indiana e paquistanesa são acusados de extorsão e fraudes fiscais.

Turismo de transplantes

De acordo com Luc Noel, médico da OMS responsável pelo monitoramento das estatísticas mundiais sobre doações ilícitas, “o chamado ‘turismo de transplantes’ estava recrudescendo entre 2006 e 2007, mas esse comércio está crescendo novamente, pois há uma demanda crescente por transplantes e grandes lucros”. Ele explicou ainda que as raízes desse fenômeno estariam na falta de legislações fortes e na facilidade que criminosos encontram em alguns países para seduzir os mais pobres.

O comércio de rins representa 75% do tráfico mundial de órgãos. Pacientes com diabetes e doenças cardiovasculares como a hipertensão desgastam demasiadamente seus rins e não raramente são obrigados a receber novos órgãos. Como a incidência desses males na população mundial vem se elevando, aumenta também a demanda por transplantes.

Números da OMS revelam que, em 2010, seus 95 países-membros conduziram mais de 106 mil operações de transplante. Ainda assim, as cifras atenderam a apenas 10% da real demanda do planeta. Desse montante, mais de 68% foram cirurgias envolvendo troca de rins. Noel especula que uma em cada 10 cirurgias naquele ano contaram com órgãos contrabandeados.

Cem nações são signatárias da Declaração de Istambul, que em 2008 estabeleceu parâmetros internacionais para o combate à exploração de órgãos humanos. Desde então, redes de médicos vinculados à OMS têm formado “grupos de custódia” para fazer com que as determinações do documento sejam cumpridas.

Fonte:  http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22123/aumento+do+numero+de+diabeticos+faz+comercio+ilegal+de+rins+crescer+diz+oms.shtml

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Médicos defendem legalização da venda de órgãos

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BBC Brasil

Quinta, 16 de fevereiro de 2006, 15h31  Atualizada às 16h27

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Médicos defendem nos EUA legalização da venda de órgãos

Os médicos sugeriram que um rim custasse R$ 85 mil
Dois médicos americanos sugeriram que o comércio de órgãos humanos como os rins seja legalizado para atender a uma crescente demanda por eles.

Em artigo publicado na revista médica Kidney International, os especialistas dizem que as campanhas tradicionais para recrutar mais doadores estão fracassando, e o mercado negro de órgãos, cada vez maior.

Eli Friedman, um médico renal da Universidade Estadual de Nova York, e Amy Friedman, uma especialista em transplantes da Universidade de Yale, defendem a idéia com o argumento de que indivíduos têm direito sobre seus próprios corpos.

Mas especialistas britânicos dizem que a medida não é necessária e resultaria na exploração de pessoas pobres.

Exploração

Os autores do artigo dizem que “as estratégias para aumentar o número de doadores têm sido um grande fracasso.”

“Embora seja ilegal na maioria dos países, e visto como antiético por organizações médicas profissionais, a venda voluntária de órgãos é responsável atualmente por milhares de transplantes ilegais.”

Os médicos sugeriram que um rim seja comercializado por US$ 40 mil (o equivalente a cerca de R$ 85 mil) e que seja criada uma agência para regular as transferências.

No entanto, o presidente da Associação Médica Britânica, Michael Wilks, disse que existe um consenso internacional contra este tipo de comércio.

“É uma exploração, especialmente em relação ao Terceiro Mundo, além de não ser necessário” diz ele.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/02/060216_comercioderimrc.shtml

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Tráfico de órgãos: mais uma vez Brasil envolvido no mercado de rins – “South Africa illegal kidney deals tied to Israel”

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Global Research, November 13, 2010
PressTV
Mais uma vez o Brasil envolvido no mercado negro de órgãos humanos
Por midiaindependente.org – GG

 

Netcare, a maior prestadora de cuidados de saúde na África do Sul, declarou-se culpada das acusações de realizar operações ilegais de transplante de rins utilizando sindicato de tráfico de órgãos ligado a Israel.

Em troca do relaxamento das acusações contra o executivo chefe da Netcare, Richard Friedland, a empresa reconheceu nas negociações que “foram feitos pagamentos para os doadores de rins, e que certa quantidade dos doadores eram menor de idade, à época que os rins foram removidos”.

O processo segue a uma investigação de sete anos para as operações ilegais no Hospital St. Augustine, em Durban, em associação com um sindicato israelense ligada ao tráfico de órgãos.

Segundo relatos, enquanto órgãos eram inicialmente originados de cidadãos israelenses, posteriormente foram obtidos de romenos pobres e de brasileiros a um custo menor.
Segundo os promotores, aos israelenses foram pagos cerca de US $ 20.000 para os rins, enquanto os brasileiros e romenos foram pagos uma média de US $ 6.000.

Outros relatos indicaram que 25.000 crianças ucranianas foram levadas para Israel nos últimos dois anos para serem usadas pelos centros médicos israelenses como  “peças de reposição.”

Além disso, o exército israelense foi acusado de roubar órgãos de prisioneiros palestinos. As operações ilegais na África do Sul incluíram a retirada de órgãos de cinco crianças.

A empresa de saúde também foi forçada a admitir que, “alguns empregados participaram dessas ilegalidades, e [o hospital] beneficiou-se indevidamente com estes procedimentos”, quando cinco notáveis médicos Sul-Africanos também foram indiciados no caso.

O hospital se comprometeu a pagar cerca de 8 milhões de rands (US $ 1,1 milhões) em multas. As acusações envolvem 109 operações realizadas no hospital entre 2001 e 2003.

http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=21897

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Netcare, the biggest health care provider in South Africa, has pleaded guilty to charges of performing illegal kidney transplant operations using Israeli-linked organ trafficking syndicate.

In return for charges being dropped against Netcare’s Chief Executive Richard Friedland, the firm acknowledged in a plea bargain that, “payments must have been made to the donors for their kidneys, and that certain of the kidney donors were minors at the time that their kidneys were removed.”

The suit follows a seven-year investigation into the illegal operations at St. Augustine’s Hospital in Durban in association with an Israeli-linked organ trafficking syndicate.

According to reports, while organs had originally been sourced from Israeli citizens, they were later obtained from poor Romanians and Brazilians at a lower cost.

According to prosecutors, the Israelis were paid about USD 20,000 for their kidneys, while the Brazilians and Romanians were paid an average of USD 6,000.

Other related reports surfaced regarding 25,000 Ukrainian children who had been brought to Israel over the past two years to be used by Israeli medical centers for their “spare parts.”

Additionally, the Israeli military was accused of stealing the organs of Palestinian prisoners.

The illegal operations in South Africa included the removal of organs from five children.

The healthcare firm was also forced to admit that, “certain employees participated in these illegalities, and [the hospital] wrongly benefited from the proceeds,” as five notable South African physicians were also indicted in the case.

The hospital has agreed to pay nearly 8 million rand (USD 1.1 million) in fines.

The charges account for 109 operations carried out at the hospital between 2001 and 2003.

LF/MB

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