Mastectomia de Angelina Jolie alimenta negócio bilionário

 

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 (…) “De acordo com o site americano de saúde, Natural Health News, o anúncio de Angelina causou pânico nas mulheres, que acreditam que a mutilação é a única opção para elas.

Mas a companhia denuncia: por trás desse anúncio de Jolie pode estar um negócio bilionário, já que a empresa Myriad Genetics patentou os genes BRCA 1, e agora somente eles, no mundo todo, é que podem fornecer esse exame, que em alguns países, como no Brasil, pode chegar a custar R$ 7 mil. (…)

(…) desde que a atriz fez pública sua situação, aumentou consideravelmente o número de mulheres querendo fazer a polêmica cirurgia, mesmo estando saudáveis.  (…)

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Leia: Câncer de mama: a vitamina D ou mastectomia.

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Especialistas médicos criticam a decisão da atriz de promover o exame que detecta os genes BRCA1

 

De famosos a especialistas médicos. Todos deram sua opinião sobre a decisão de Angelina Jolie de submeter-se a uma dupla mastectomia preventiva, já que ela tem uma alta porcentagem de vir a sofrer câncer de mama no futuro.

Mas sua decisão deixou parte do corpo médico bastante preocupado, pois desde que a atriz fez pública sua situação, aumentou consideravelmente o número de mulheres querendo fazer a polêmica cirurgia, mesmo estando saudáveis.

De acordo com o site americano de saúde, Natural Health News, o anúncio de Angelina causou pânico nas mulheres, que acreditam que a mutilação é a única opção para elas.

Mas a companhia denuncia: por trás desse anúncio de Jolie pode estar um negócio bilionário, já que a empresa Myriad Genetics patentou os genes BRCA 1, e agora somente eles, no mundo todo, é que podem fornecer esse exame, que em alguns países, como no Brasil, pode chegar a custar R$ 7 mil.

Médica fala sobre o apoio de Brad Pitt durante as cirurgias de Angelina Jolie
Para o jornalista especializado, da Natural Health, Mike Adams, a decisão de Angelina de dizer ao mundo, não foi nada valente, e sim uma triste forma de aterrorizar as mulheres com falsas estatísticas de câncer de mama, incitando à auto-mutilação e paranoia.

“Angelina Jolie é parte de um astuto plano corporativo desenhado para proteger milhões de dólares em patentes de genes BRCA, e influir na decisão da Corte Suprema dos Estados Unidos”, acusa.

O site financeiro MarketWatch também criticou a atriz:

“Ela simplesmente se nega a dizer a essas mulheres que a cirurgia não é a única opção preventiva, que existe tratamento preventivo, sem ter de tomar essa decisão tão dramática. O que Angelina provocou:

1)  Que mulheres assustadas corressem a fazer esses caros exames por medo, aumentando ainda mais o fluxo da companhia.

2)  Seu anúncio fez com que as ações da Myriard Genetics (MYGN) aumentassem na bolsa. No dia do anúncio, depois da publicação no New York Times, a companhia fechou em alta.

3)  Seu anúncio fez com que a opinião pública influenciasse na decisão da Corte Suprema de Justiça para legislar a favor da privativação dos genes humanos. Angelina Jolie está enganando todas as mulheres do mundo. O que ela fez, literalmente, foi vender as mulheres à indústria do câncer, com fins lucrativos.

4)  As ‘declarações’ de Jolie foram publicadas dias antes de que a Corte expedisse sobre a viabilidade de patentar genes BRCA1″.

E continua:

“Investigadores especializados, conselheiros genéticos, pacientes mulheres, sobreviventes de câncer, instituições de câncer de mama, grupos de saúde das mulheres, e associações científicas que representam a 150 mil geneticistas, patólogos e profissionais de laboratório, argumentam que os genes humanos não podem ser patentados porque são produto da natureza. A intenção de patentar genes humanos viola os exames de diagonóstico e investigação que poderiam conduzir a uma cura, limitando as opções das mulheres com respeito à sua atenção médica”.

Alguns acreditam que a mulher de Brad Pitt também foi enganada. Um médico especialista, consultado pela publicação afirma que todas as pessoas tem microcélulas cancerígenas no corpo, e que algunas desenvolvem a doença, enquanto outras não.

A boa alimentação preventiva, e tratamentos específicos preventivos, podem ajudar mais do que a auto-mutilação.

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Quando os transplantes de órgãos viram negócio

«a própria noção de humanidade está a ser menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos», afirma o The Guardian.

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2012/05/31/interpelacao-judicial-ao-cfm-a-uniao-e-ao-ministerio-publico-federal-para-esclarecer-a-irreversibiladade-da-morte-encefalica/

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31/05/2012 por Liliana Cardoso

Quando os transplantes de órgãos viram negócio

Agora que a crise económica é, quase sempre, apontada como explicação para as coisas negativas que acontecem, mais uma vez parece servir para explicar o crescimento do negócio (ilegal) dos transplantes de órgãos. Pessoas de países como a China e Irão recorrem à venda dos seus órgãos de modo a conseguirem ganhar dinheiro. No entanto, enquanto que no Irão a actividade é legal, na China sucede o contrário.

O comércio ilegal de órgãos – principalmente de rins – tem vindo a aumentar nos últimos anos  e a crise económica que se vive parece ser a explicação para os dez mil novos órgãos vendidos por ano que acabam a ser comercializados no mercado negro. Os dados são revelados pelo jornal britânico The Guardian que cita as informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo provas recolhidas por uma rede de médicos, os traficantes conseguem contornar as leis que pretendem reduzir o tráfico de órgãos humanos, conseguindo lucrar cada vez mais com a crescente procura de rins. Os dados estimam também que a cada hora seja vendido um órgão.

Grande parte dos doentes que precisa de um transplante de rim recorre a países como a Índia, Paquistão ou China, onde o valor pelo órgão novo pode chegar a custar 200 mil dólares. Os órgãos são quase sempre de pessoas vulneráveis e desesperadas por conseguirem ganhar algum dinheiro, mas que nunca recebem mais do que cinco mil dólares pelo seu órgão, segundo afirma o The Guardian.

As redes de tráfico de órgãos

As redes de trafico de órgãos tanto são compostas por traficantes como por médicos-cirurgiões. Há cerca de uma semana, em Israel, foram presas dez pessoas sendo que uma delas era médico. O homem é suspeito de fazer parte de uma rede internacional de tráfico de órgãos e foi acusado de extorsão, fraude fiscal e ofensas corporais graves. Também na Índia e no Paquistão foram descobertas outras redes que se dedicavam ao mesmo negócio.

O jornal The Guardian entrou em contacto com um traficante de órgãos na China que usava o slogan «Doe um rim, compre o novo iPad» para anunciar os seus serviços. Ele ofereceu 2,500 libras (cerca de 3,100 euros) por um rim e disse que a operação podia ser realizada no prazo de dez dias.

Negócios como este levaram a OMS a dizer que «a própria noção de humanidade está a ser menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos», afirma o The Guardian.

 O turismo de transplantes

De acordo com Luc Noel, médico e funcionário da OMS e responsável pela monitorização das tendências de doações legais e ilegais de órgãos humanos, houve uma diminuição no turismo de transplantes por volta dos anos de 2006 e 2007. Mas, mais recentemente, «o comércio [de órgãos] pode estar a aumentar novamente. Há sinais recentes de que essa será a tendência. Há uma necessidade crescente e muito lucro à vista», continua Luc Noel, citado pelo Guardian.

Os rins constituem 75% do comércio ilegal de órgãos. Índices elevados de diabetes, pressão arterial elevada e problemas de coração são os principais motivos que estão a levar a que a procura ultrapasse a oferta.

Segundo dados da OMS, de 107 mil órgãos que foram transplantados em 95 estados membros em 2010, incluindo transplantes legais e ilegais, cerca de 69% foram rins. No entanto, os cerca de 107 mil transplantes realizados apenas satisfazem 10% das necessidades globais. Luc Noel acredita ainda que um em cada dez dos de 107 mil órgãos transplantados foi adquirido através do mercado negro. O que significa que os «gangs de órgãos», como ele lhes chama, lucraram quase onze mil vezes em 2010.

O problema está enquadrado na Declaração de Istambul, assinada em 2008 por 100 países, contra a exploração de órgãos. Desde então, várias redes de médicos da OMS têm formado grupos com o objetivo de fazerem cumprir o documento. Luc Noel defende também que a falta de fiscalização ou mesmo a falta de legislação em alguns países, facilita a vida dos que convencem pessoas pobres e vulneráveis a comercializar um órgão.

O negócio na China e no Irão

A China é um dos principais países no que diz respeito ao negócio dos transplantes, sendo os de intuito comercial ilegais. O facto de o país ter uma grande escassez de doadores pode explicar o facto de entre um milhão de pessoas a precisar de um rim, apenas cerca de cinco mil o tenham conseguido em 2011.

Os rins são os órgãos mais requisitados na China. No entanto, a escassez faz com que sejam recolhidos órgãos de prisioneiros condenados. Mas em fevereiro deste ano o ministro da Saúde Huang Jiefu anunciou que este sistema vai ser abolido em 2017, devido ao alto risco de infeções. A China está também a ser mais prudente com a pena de morte. Em 2011 cerca de quatro mil prisioneiros foram executados, o que representa menos 50% do que em 2007.

Devido às dificuldades de conseguirem um rim de um dador e aos preços elevados – cerca de 20 mil dólares -, muitos pacientes recorrem ao tráfico de órgãos, a tal economia paralela.

O Irão continua a ser dos poucos países, se não mesmo o único, onde a compra e venda de órgãos é legal. A escassez de órgãos não existe, o que existe é excesso de concorrência para quem os quer vender.

Por isso, para anunciarem os seus «serviços», os vendedores escrevem o tipo de sangue e o número de telefone nas paredes ou em cartazes de ruas próximas do hospital de Teerão. Mas devido a elevada concorrência, muitos anúncios são destruídos. Uns acrescentam a sua informação na publicidade de outros dadores e colocando tudo nas portas das casas das pessoas. Outros escrevem nas árvores pensando que assim vão atrair mais rapidamente a atenção das pessoas. E assim se faz do corpo um bem material, sujeito às típicas leis do mercado…

Fonte: http://www.e-clique.com/destaque/quando-os-transplantes-de-orgaos-viram-negocio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=quando-os-transplantes-de-orgaos-viram-negocio
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Especialistas investem em prevenção ao fumo para deter o avanço do câncer no mundo: em 2010 será a primeira causa de morte

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de 14/09/2009

O Globo

Antônio Marinho*

O tabaco é o grande inimigo a ser vencido na luta contra o câncer. O cigarro é o maior responsável pela doença — principal causa de morte no mundo a partir do ano que vem, ultrapassando as complicações cardíacas. Para os participantes do Livestrong Global Cancer Summit, que discutiu durante três dias propostas para o combate ao câncer, a saída é reforçar as medidas restritivas a fumantes e taxar ainda mais o cigarro.

Hana Ross, da Sociedade Americana do Câncer, citou uma pesquisa dos EUA mostrando que proibir o fumo em locais públicos, como bares e restaurantes, não trouxe prejuízos a comerciantes. Pelo contrário. Eles pagaram mais impostos com o maior lucro devido ao bom movimento de clientes. As vantagens para a saúde, por sua vez, são enormes.

Pelo menos 25% dos fumantes morrem devido às mazelas do tabagismo e milhares adoecem na fase mais produtiva de suas vidas. Em 2015, 2,1 milhões de mortes por câncer serão atribuídas ao hábito de fumar. Por volta de 2030, 83% dessas mortes serão em países de baixa renda, como mostra a nova edição do “Atlas do Tabaco”, lançada no encontro, que reuniu 500 representantes de 65 países, em Dublin, na Irlanda.

No encontro, o consenso foi de que só com maior cooperação, melhor distribuição de recursos para prevenção, diagnóstico e tratamentos, além de incentivo à adoção de hábitos saudáveis é possível derrotar o câncer, mal que cobra caro.

Os custos econômicos com novos casos de câncer no mundo são estimados em US$305 bilhões só este ano, segundo dados apresentados pela Fundação Lance Armstrong e pela Sociedade Americana do Câncer. Por dia, 33 mil são diagnosticados com a doença. Estima-se que haverá 12,9 milhões de novos casos de câncer só este ano. Em 2030, serão 27 milhões, com 17 milhões de óbitos. A situação piora porque há um déficit de US$217 bilhões para cobrir os gastos com tratamentos, sendo 65% deste valor em países em desenvolvimento. Hoje as nações ricas ficam com a maior fatia.

Um dos líderes na luta global contra o câncer é o ciclista Lance Armstrong. Aos 25 anos ele já era um dos melhores do mundo. Mas descobriu que sofria de câncer de testículo, tumor com alta chance de cura se detectado no início. Jovem e sem sintomas, ele não deu muita importância à doença na época. Logo o câncer se disseminou, até para seu cérebro, e o ciclista soube que tinha pouca chance de escapar. Decidido a encarar a doença, enfrentou duro tratamento. Casou-se, teve filhos e se diz um sobrevivente. Em 1997 voltou a pedalar e venceu o Tour de France sete vezes (1999-2005).

— É preciso combinar os esforços porque há poucos recursos para fazer tudo que é necessário. O câncer ainda é visto como sentença de morte e os pacientes sofrem com o preconceito. A medida importante é o controle do uso de tabaco é uma das ações mais importantes, algo simples de fazer e eficaz — disse Armstrong, um dos fundadores da instituição que leva seu nome.

Além de maior controle do tabagismo, ministros, ex-chefes de estado, médicos e representantes de ONGs defenderam mais investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento, que inclui cuidados paliativos. Por ano, 4,8 milhões de pessoas no mundo sofrem de dores terríveis porque ficam sem receber drogas de alívio, como morfina.
— O câncer deveria entrar na agenda de desenvolvimento do milênio. É um tema médico, mas também político — afirma John Seffrin, executivo-chefe do escritório da Sociedade Americana do Câncer.

Só no Brasil o custo com quimioterapias no SUS aumentou 450% nos últimos anos, passando de R$18 milhões para R$ 82 milhões, como resultado do envelhecimento dos brasileiros e da chegada de novas drogas e tratamentos. Para este ano, a estimativa é de 466.730 casos novos no país.

Entre as propostas no encontro estão desenvolver nas escolas programas para falar da doença — crianças têm grande poder de influenciar seu familiares — e melhorar o apoio aos cuidadores dos doentes. Esse também é um caminho para acabar com o estigma em torno do câncer.

— A cultura de boa saúde começa nas escolas. Se isso tivesse sido feito há mais tempo, hoje não teríamos tantos problemas relacionados ao tabagismo e à obesidade — afirmou José Córdova Villalobos, secretário de Saúde do México.

Christopher Wild, diretor da Agência Internacional para Pesquisa de Câncer, reforça que é preciso por fim à crença — comum em países pobres — de que não há nada a fazer contra o câncer. A maioria dos casos é relacionada a estilo de vida e ao ambiente.

Ele cita como exemplo as infecções por papiloma vírus humano (HPV) e o vírus da hepatite B, respectivamente associados a tumores de colo de útero e fígado. As restrições e proibições ao cigarro e a prevenção com vacinas têm impacto grande na redução do número vítimas. Outro fator é que a maioria dos cânceres em fase inicial tem cura. E apesar de grande parte deles apresentar relação com estilo de vida e ambiente, a ideia não é responsabilizar pacientes, acusando-os de negligenciar a própria saúde. Até porque há tumores de causa desconhecida.

— Um grama de prevenção é melhor que uma tonelada de tratamento — disse Faisal A–Fayez, ex-primeiro ministro da Jordânia, citando provérbio árabe.

* O repórter viajou a convite da Fundação Lance Armstrong e da Sociedade Americana do Câncer

Jornal: O GLOBO Autor:
Editoria: Ciência Tamanho: 912 palavras
Edição: 1 Página: 38
Coluna: Seção:
Caderno: Primeiro Caderno

Sobre este assunto há várias publicações neste espaço na categoria “Tabagismo”, na coluna da esquerda deste site.

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