Médicos são condenados por tráfico de órgãos em Kosovo

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Réus foram acusados de crime organizado e exercício ilegal de atividade. Urologista Lutfi Dervishi foi condenado a oito anos de prisão.29/04/2013 12h18 – Atualizado em 29/04/2013 12h34

Da France Presse

Um tribunal europeu condenou nesta segunda-feira  (29)  cinco médicos kosovares a penas de até oito anos de prisão por tráfico de órgãos em Kosovo , no veredito de um caso que remonta a 2008 e cujas ramificações se estendem a Europa, América do Norte e Oriente Médio.

A pena mais importante, de oito anos de prisão, foi pronunciada contra o urologista Lutfi Dervishi, enquanto seu filho, o médico Arban Dervishi, foi condenado a sete anos e três meses de prisão.

Três acusados, todos médicos, foram condenados a penas de até três anos. Outros dois acusados, entre eles o ex-funcionário do alto escalão do Ministério da Saúde Ilir Rrecaj, foram absolvidos no julgamento, iniciado em 2011.

Durante o processo, Rrecaj reconheceu que transplantes ilegais aconteciam na clínica, mas negou envolvimento.

Os réus foram acusados de crime organizado e exercício ilegal da atividade médica, segundo a ata de acusação redigida pelo procurador europeu Jonathan Ratel.

Segundo a mesma fonte, mais de 30 extrações de rins e transplantes foram realizados ilegalmente na clínica Medicus, fechada em 2008, quando estourou o escândalo.

Os doadores, recrutados na Europa ou Ásia Central, tinham a promessa de que receberiam, cada um, cerca de 15 mil euros, enquanto os que recebiam os órgãos estavam dispostos a pagar, cada um, até 100 mil euros pela intervenção cirúrgica.

A ata de acusação designa o cidadão israelense Moshe Harel como cérebro de uma rede de recrutamento de doadores e receptores de órgãos. O médico turco Yusuf Ercin Sonmez é suspeito de ter realizado os enxertos de órgãos na clínica Medicus.

Nenhum dos dois consta entre os acusados no processo, uma vez que não foram colocados à disposição do tribunal europeu.

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Rede de tráfico de órgãos desmantelada no Kosovo

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acougue humano

 

 

 

 

 

 

Juízes europeus deslocados no Kosovo acusaram duas pessoas e emitiram mandados internacionais de captura contra duas outras, por transplante ilegal de órgãos, informou ontem a missão europeia de polícia e justiça, a Eulex, citada pela agência AFP.

Já em meados de Outubro haviam sido acusadas pelos mesmos delitos cinco outras pessoas, incluindo médicos e um antigo responsável do Ministério da Saúde.

Os media do Kosovo noticiaram que os doadores, pessoas muito pobres ou com grandes dificuldades económicas, originárias da Moldova, do Cazaquistão, da Rússia e da Turquia, eram aliciados a troco de promessas de 15 mil euros, enquanto os pacientes pagariam cerca de 100 mil euros pelo órgão e transplante. Uma acta de acusação, citada pela agência AP, é mais concreta e refere que a rede fazia “falsas promessas de pagamentos” de cerca de 14.500 euros por um rim e cobrava entre 110 mil euros e 137 mil euros pelo órgão e respectivo transplante.

Os já acusados são, segundo a Rádio Kosovo, cinco kosovares, um turco e um israelita. Um médico turco e um cidadão israelita serão os indivíduos que estão a ser procurados pela Interpol. A rede foi descoberta em Novembro de 2008, quando a polícia prendeu um israelita suspeito de ter negociado um transplante ilegal em Pristina. Nesse ano cerca de duas dezenas de doadores terão sido aliciados.

A Eulex está encarregada dos dossiers mais sensíveis em matéria criminal no Kosovo.

Fonte: http://www.publico.pt/mundo/noticia/rede-de-trafico-de-orgaos-desmantelada-no-kosovo-1465900

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Testemunha diz que participou de tráfico de órgãos na guerra de Kosovo

Kosovo position within Serbia

Kosovo position within Serbia (Photo credit: Wikipedia)

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A TV estatal sérvia (RTS) transmitiu nesta segunda-feira a entrevista com uma testemunha do tráfico de órgãos durante a guerra de Kosovo que afirma ter extraído o coração de uma vítima consciente e sem anestesia.

“Me deram um bisturi e ordenaram: ‘começa porque não temos muito tempo'”, revelou o homem, cuja voz foi distorcida pela emissora e que teria integrado a guerrilha de Kosovo.

“Coloquei minha mão esquerda sobre seu peito e comecei a cortar (…). O sangue jorrou e ele gritou pedindo para não ser mutilado, que não o matássemos”, disse a testemunha, com sotaque albanês.

“Ele perdeu a consciência. Não sei se desmaiou ou morreu, fiquei transtornado”, revelou a testemunha sobre a vítima, que “tinha cerca de vinte anos”.

CRIMES DE GUERRA

O promotor sérvio para crimes de guerra, Vladimir Vuckevic, disse no domingo que tinha uma testemunha –um ex-integrante da guerrilha do Kosovo– que sabe informações sobre o tráfico de órgãos extraídos de prisioneiros sérvios durante a guerra do Kosovo.

Segundo a testemunha, a cirurgia ocorreu em uma sala de aula, sobre três bancos colocados lado a lado para servir de mesa de operação. A vítima foi imobilizada por quatro guerrilheiros kosovares.

Na entrevista, a testemunha não revela onde ocorreu a operação, mas Vuckevic disse que a barbárie teve lugar no norte da Albânia, na zona de fronteira com Kosovo, “no final dos anos 90”.

A testemunha afirma que da operação participaram dois médicos, incluindo um encarregado de preservar o órgão retirado, e conta como um dos homens “arrancou o coração da caixa toráxica, ainda batendo”, após “secionarmos as artérias” da vítima.

O coração foi colocado em uma caixa térmica e levado imediatamente para o aeroporto de Tirana, onde os rebeldes foram recebidos por militares do Exército albanês. O órgão seguiu para o estrangeiro a bordo de um “pequeno avião particular” de matrícula turca, afirmou a testemunha.

As denúncias de tráfico de órgãos em Kosovo remontam a 2008 e fazem parte do relatório do parlamentar suíço Dick Marty, adotado em janeiro de 2011 pela Assembleia do Conselho da Europa.

O relatório cita os nomes de dirigentes da guerrilha kosovar, incluindo Hashim Thaçi, atual primeiro-ministro de Kosovo.

O premier Thaçi e as autoridades albanesas desmentem as acusações.

Fontes:

http://www.jornalfloripa.com.br/mundo/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=23500

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1151497-testemunha-diz-que-participou-de-trafico-de-orgaos-na-guerra-de-kosovo.shtml

http://www.band.com.br/noticias/mundo/noticia/?id=100000531986

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Mercado negro de órgãos humanos cresce na Europa

 No Brasil

Map of municipalities of Kosovo

Map of municipalities of Kosovo (Photo credit: Wikipedia)

: Interpelação Judicial ao CFM, a União e ao Ministério Público Federal para esclarecer critérios de morte encefálica

“Os principais países fornecedores têm sido tradicionalmente a China, a Índia,o Brasil e as Filipinas. Mas especialistas dizem que os europeus são cada vez mais vulneráveis.”

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POR DAN BILEFSKY

BELGRADO, Sérvia – Pavle Mircov e sua parceira, Daniella, verificam nervosamente sua caixa de e-mail a cada 15 minutos, desesperados pela salvação: um comprador disposto a pagar quase US$ 40 mil por um de seus rins.

O casal, que tem dois filhos adolescentes, colocou seus órgãos à venda em um site de anúncios seis meses atrás, depois que Mircov, 50 anos, perdeu o emprego em uma fábrica de carne aqui. Ele disse que não conseguiu encontrar trabalho e ficou desesperado.

“Quando você precisa colocar comida na mesa, vender um rim não parece um sacrifício tão grande”, disse.

Enfrentando a pobreza esmagadora, alguns europeus estão vendendo seus rins, pulmões, medula óssea ou córneas, informam especialistas. Esse fenômeno é relativamente novo na Sérvia, país que foi massacrado pela guerra e luta com a crise financeira que varreu o continente.

A disseminação da venda ilegal de órgãos na Europa foi facilitada pela internet, a escassez global de órgãos para transplantes e traficantes prontos para explorar a miséria econômica.

Na Espanha, na Itália, na Grécia e na Rússia, anúncios de pessoas que vendem órgãos -assim como cabelo, esperma e leite materno- aparecem na internet. Os preços chegam a US$ 250 mil para um pulmão.

No fim de maio, a polícia israelense deteve dez membros de uma rede criminosa internacional suspeita de tráfico de órgãos na Europa, segundo autoridades da União Europeia. Os suspeitos visavam pessoas pobres na Moldávia, no Cazaquistão, na Rússia, na Ucrânia e em Belarus.

“O tráfico de órgãos é uma indústria em crescimento”, disse Jonathan Ratel, um promotor especial da UE que está conduzindo um caso contra sete pessoas acusadas de atrair vítimas pobres da Turquia e ex-países comunistas para Kosovo, para vender seus rins, com falsas promessas de pagamentos de até US$ 20 mil. “Grupos do crime organizado estão atacando os vulneráveis dos dois lados da rede de suprimentos: pessoas muito pobres e pacientes ricos e desesperados que farão qualquer coisa para sobreviver.”

Os principais países fornecedores têm sido tradicionalmente a China, a Índia, o Brasil e as Filipinas. Mas especialistas dizem que os europeus são cada vez mais vulneráveis.

Estima-se que de 15 mil a 20 mil rins sejam vendidos ilegalmente em todo o mundo por ano, segundo a Organs Watch, um grupo de direitos humanos em Berkeley, Califórnia, que acompanha o comércio ilegal de órgãos. A Organização Mundial da Saúde estima que apenas 10% das necessidades globais para transplantes de órgãos estão sendo supridas.

O comércio de órgãos na Sérvia é ilegal e pode ser punido com até dez anos de prisão. Mas isso não desanima a população de Doljevac, uma cidade pobre com 19 mil habitantes no sul da Sérvia, cujo governo recusou uma tentativa dos moradores de registrar uma agência local para vender seus órgãos no exterior.

Violeta Cavac, dona de casa que defende a rede, disse que a taxa de desemprego em Doljevac é de 50% e que mais de 3 mil pessoas queriam participar. Segundo ela, privados de um canal legal para vender seus órgãos, os moradores agora tentam vendê-los na vizinha Bulgária ou em Kosovo.

“Eu venderei meu rim, meu fígado ou qualquer coisa para sobreviver”, disse ela.

As autoridades insistem que a Sérvia não é tão pobre que as pessoas precisem vender seus órgãos e informam que nenhum caso de tráfico de órgãos na Sérvia foi processado nos últimos dez anos. Especialistas que estudam a venda de órgãos ilegais disseram que os processos são raros porque os transplantes ocorrem em terceiros países, tornando difícil rastreá-los.

A economia em crise da Sérvia leva ao desespero

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/newyorktimes/53426-mercado-negro-de-orgaos-humanos-cresce-na-europa.shtml

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União Europeia vai investigar tráfico de órgãos durante conflito do Kosovo

Negar não é suficiente: criminosos costumam negar seus crimes. Investigar é necessário e, inclusive, como evoluiu o tráfico de órgãos a partir daqueles conflitos armados, quando dividiu-se tráfico de cocaína e tráfico de órgãos de forma organizada.

Celso Galli Coimbra
OABRS 11352

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Acusações surgiram em 2010 pelo Concelho da Europa. Primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaci, negou alegados crimes.
15-05-2012 16:01

A União Europeia (UE) foi autorizada a investigar acusações de tráfico de órgãos durante o conflito do Kosovo em 1999. Soldados albaneses e kosovares são acusados de venderem órgãos de presos sérvios.

Na última quinta-feira, dia 10 de Maio, o Parlamento da Albânia aceitou dar independência às investigações da UE (SITF) com 127 votos a favor em 140. As acusações dos alegados crimes surgiram em 2010 contra combatentes do Kosovo pelo Concelho da Europa.

Face às declarações, o primeiro-ministro kosovar, Hashim Thaci, negou todas as atrocidades cometidas pelos soldados do país.

A administração das Nações Unidas (ONU) tomou posse do Kosovo e declarou oficialmente a independência da Sérvia em 2008.

UE investiga máfia do tráfico de órgãos na Albânia

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Em relatório no ano passado, o Conselho da Europa acusou o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, e outros ex-comandantes insurgentes albaneses do Kosovo, de capturarem civis sérvios e extraírem órgãos das vítimas

Publicado em 10/11/2011, às 15h45

Agência Estado

Um procurador da União Europeia (UE) está visitando a Albânia, onde investiga acusações de que uma rede de criminosos vendia órgãos de civis sérvios capturados durante a Guerra do Kosovo, em 1998 e 1999. O procurador John Clint Williamson, da missão da Força-Tarefa Especial de Investigação da UE (EULEX), está em reuniões nesta quinta-feira com políticos graduados da Albânia, aos quais pedirá apoio na investigação.

Um porta-voz do governo albanês não quis comentar a visita de Williamson. Em relatório no ano passado, o Conselho da Europa acusou o primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, e outros ex-comandantes insurgentes albaneses do Kosovo, de capturarem civis sérvios e extraírem órgãos das vítimas, os quais eram vendidos no mercado negro. Tanto Thaci quanto a Albânia negam as acusações.

As informações são da Associated Press.

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Trafic d’organes au Kosovo: ouverture du procès

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Le 4 octobre 2011, la Mission européenne de justice au Kosovo (Eulex) a annoncé la comparution au tribunal de sept personnes, en majorité médecins, accusées d’avoir pris part à un trafic d’organes et à des transplantations illégales dans la clinique Medicus de Pristina (Cf. Synthèse de presse du16/06/11 et du 05/09/11). L’établissement en question a été fermé en 2008, suite à une enquête policière.

Les victimes de ce trafic viendraient de l’Europe orientale et de l’Asie centrale. Ils se voyaient promettre 15.000 €, tandis que les receveurs, ressortissants israéliens, déboursaient jusqu’à 100.000 €.

Parmi les sept accusés figurent l’ancien secrétaire kosovar de la Santé, Ilir Rrecaj, soupçonné d’avoir fourni la licence à la clinique, ainsi que Lufti Dervishi, urologue de renom qui aurait mis en oeuvre les activités de transplantations. Le Dr Yusuf Sönmez, médecin turc surnommé le “Dr Franckenstein“, est également mis en cause dans l’affaire.

Le parlementaire suisse Dick Marty avait établi un parallèle entre cette affaire et un trafic d’organes présumé, perpétré par les maquisards kosovars en Albanie, pendant la guerre contre Belgrade à la fin des années 90. Il avait remis un  rapport sur la question au Conseil de l’Europe en décembre 2010 (Cf. Synthèse de presse du 16/12/10). Cette dernière affaire impliquerait Hashim Thaci, l’actuel Premier Ministre du Kosovo. Si celui-ci a démenti les accusations portées dans le rapport Marty, Eulex a nommé un procureur américain pour enquêter sur ces accusations.

AFP 06/10/11

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Tráfico de órgãos humanos no Kosovo, 11 Julho 2011

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Segunda, 11 Julho 2011 14:33

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Lufti Dervishi, o cirurgião acusado

Um procurador da União Europeia acusou sete pessoas de estarem envolvidas numa rede internacional de tráfico de órgãos humanos a partir do Kosovo. As vítimas não recebem o dinheiro que lhes é prometido pela cedência dos órgãos.

Entre os acusados no processo conduzido pelo procurador Jonathan Ratel estão um ex-alto funcionário do Ministério da Saúde do Kosovo, médicos, o cirurgião Lufti Dervishi, proprietário da clínica “Medicus” nos arredores de Pristina, e cidadãos turcos e israelitas responsáveis pela angariação, recrutamento e transporte das vítimas, todas elas em “situação de extrema pobreza”, segundo o processo.

Responsáveis europeus em serviço no Kosovo sublinham que o caso confirma que este país tornado independente sob a protecção da União Europeia e da NATO se tornou nos últimos anos um centro privilegiado do crime organizado, nas esteira de actividades praticadas pelo antigo Exército de Libertação do Kosovo, transformado em partido no poder.

As vítimas para os transplantes são habitualmente recrutadas na Moldávia, Casaquistão, Rússia e Turquia e escolhidas pela sua extrema situação de pobreza. O cidadão turco Youssuf Sonnez e o israelita Moshe Harel, ambos procurados pela Interpol, foram identificados como os operacionais encarregados de fazer chegar as vítimas à clínica perto de Pristina. O aliciamento é feito através da promessa de pagamento de cerca de 14 mil euros por cada rim fornecido; os compradores dos órgãos pagam entre 80 a cem mil euros à rede, recebem os transplantes na clínica no Kosovo e são oriundos, sobretudo, do Canadá, Alemanha, Polónia e Israel.

Dados em poder dos investigadores revelam que as promessas de pagamento às vítimas não são cumpridas; Moshe Harel é o membro do grupo acusado de prometer fazer as transferências electrónicas das verbas e de não as consumar.

A rede começou a ser investigada quando um cidadão turco se queixou à polícia no aeroporto de Kosovo de lhe ter sido “roubado um rim”. Uma investigação na clínica realizada na sequência da queixa detectou um cidadão israelita sob cuidados pós-operatórios e, na altura, todos os dados sobre a intervenção foram recolhidos. Nesse ano de 2008 foram detectados 20 casos de órgãos retirados a cidadãos recrutados através da rede.

Não é a primeira vez que o tráfico de órgãos humanos é abordada na região. A imprensa sérvia acusou membros do Exército de Libertação de Kosovo de raptarem e matarem cidadãos sérvios para traficarem os seus órgãos. O assunto foi levantado também num livro da procuradora das Nações Unidas, Carla del Ponte, segundo a qual o centro nevrálgico da operação seria então uma região remota no norte da Albânia.

Lufti Dervishi, o cirurgião proprietário da clínica “Medicus” indigitado como sendo o pivot da operação está também alegadamente envolvido nas actividades do Exército de Libertação do Kosovo denunciadas pela imprensa sérvia e Carla del Ponte. Alguns dos acusados foram detidos mas libertados alguns dias depois.

A remoção e transplante de órgãos humanos é uma actividade proibida por lei no Kosovo.

O Kosovo é também habitualmente referido como principal entreposto do tráfico de droga oriunda do Afeganistão para introdução na Europa.

http://www.beinternacional.eu/pt/noticias/1962-trafico-de-orgaos-humanos-detectado-no-kosovo

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Tráfico de órgãos: um relatório devastador

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KosovoRepressom e direitos humanos
Quarta, 26 Janeiro 2011 04:01

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Le Monde Diplomatique – [Jean-Arnault Dérens] Em meio a críticas e deboche, relatório apresentado recentemente no Conselho Europeu reacende as discussões sobre a possibilidade dos prisioneiros do Exército de Libertação do Kosovo (UCK) terem sido vítimas de tráfico de órgãos.


Caiu como uma bomba o relatório sobre tráfico de órgãos apresentado pelo deputado suíço Dick Marty   diante do Conselho Europeu , que apontavam como vítimas os prisioneiros do Exército de liberação do Kosovo (UCK) 1. As alegações contidas no documento não são novas: esse tráfico já foi evocado nas memórias publicadas, em 2008, pela antiga Procuradora Geral do Tribunal penal internacional da ex- Iugoslávia (TPIY), Carla Del Ponte2. E em Kosovo, a hipótese de tal tráfico é um “boato” que circula há muito tempo. Da mesma maneira, a investigaçãopublicada em 2009 pelos jornalistas Altin Raxhimi, Michael Montgomery e Vladimir Karaj confirmou a existência de um verdadeiro “arquipélago” de centros secretos de detenção da UCK na Albânia3.

O relatório de Marty traz, no entanto, várias informações novas, permitindo compreender melhor os mecanismos desse tráfico. Centenas de prisioneiros capturados pelo UCK – principalmente sérvios do Kosovo e provavelmente romenos e albaneses acusados de “colaboração” – teriam sido deportados para a Albânia, em 1998 e 1999. Aprisionados em vários pequenos centros de detenção – entre eles a famosa “casa amarela” da pequena cidade de Rripë, perto de Burrel, visitada pelos inspetores do TPIY –, alguns deles teriam alimentado o tráfico de órgãos. Os prisioneiros eram conduzidos para uma pequena clínica situada em Fushë Kruja, a 15 km do aeroporto internacional de Tirana, assim que alguns clientes demonstravam interesse em receber órgãos. Eles eram, então, abatidos com um tiro na cabeça antes que os órgãos, principalmente, os rins, fossem retirados. Esse tráfico era dirigido pelo “grupo da Drenica”, um pequeno núcleo de combatentes da UCK reunidos em torno de duas figuras chaves: Hashim Traçi, atual primeiro-ministro de Kosovo e Shaip Muja, então responsável pela brigada médica do UCK e, hoje, conselheiro da saúde do mesmo Hashim Thaçi.

O relatório deixa muitas perguntas sem respostas, principalmente o número exato de prisioneiros vítimas desse tráfico. A justiça sérvia, por sua vez, fala de 500 pessoas deportadas à Albânia. Também não se sabe quais foram os parceiros estrangeiros desse tráfico e, sobretudo, quem foi beneficiado. O relatório revela, no entanto, que 60 pacientes do hospital universitário de Jerusalém teriam se beneficiado de um transplante renal em 2001, número  excepcionalmente elevado.

É importante dar ao suposto crime seu devido valor. Se o tráfico é comprovado, trata-se de um crime medonho contra a humanidade, que se situa, na ordem do horror, do mesmo nível do massacre genocida de Srebrenica. Outro ponto determinante é o fato de que o tráfico estaria ocorrendo até 2001, ou seja, até dois anos depois da entrada das tropas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Kosovo e da instauração do protetorado das Nações Unidas sobre o território. O relatório nota, aliás, que a partir de junho de 1999, a fronteira entre a Albânia e o Kosovo não estava submetida a nenhum controle real.

O relatório suscitou um clamor de protestos e de desmentidos. Alguns quiseram desqualificar Marty, apresentando o autor como um “adversário da independência do Kosovo” e até mesmo como um “inimigo do povo albanês”. O primeiro-ministro da Albânia, Sali Berisha, o rotulou abertamente de “racista”. Como suporte para essas afirmações, é frequentemente citada uma entrevista dada por Marty, em março de 2008, para o site da Rede Voluntária, na qual ele critica, sob o ponto de vista da legalidade internacional, a proclamação da independência do Kosovo4. Essa tomada de posição não traduz de maneira nenhuma uma “aversão” em relação ao povo albanês, nem ao povo do Kosovo, e o relatório de Marty não seria nem mais, nem menos legítimo se seu autor estivesse de acordo com a proclamação da independência, sob esse mesmo ponto de vista jurídico. Nota-se, enfim, que a imprensa da Albânia critica explicitamente o discurso “antiamericanista” de Marty, uma vez que este já revelou, em 2006, o escândalo das prisões secretas da CIA na Europa. Algumas declarações oficiais de Tirana, nesses últimos dias, associam o suposto “antiamericanismo” do relator e seu preconceito “antialbanês”.

Alguns acusam igualmente Marty de “preconceitos políticos”, pois ele publicou seu relatório alguns dias depois das eleições parlamentares organizadas em Kosovo, em 12 de dezembro, que foram manchadas por fraudes grosseiras cometidas, principalmente, ao que parece, pelo Partido Democrático do Kosovo (PDK), do qual Thaçi faz parte. Esse argumento é fácil de ser rejeitado, pois a concomitância das datas é apenas uma coincidência. As eleições foram antecipadas e a data fixada somente no início de novembro.

Por sua vez, diretamente acusado, Thaçi usou de artilharia pesada para responder a Marty. Em uma entrevista publicada em 30 de dezembro no Tages Anzeiger, de Zurique, ele retoma as acusações de racismo e chega até comparar o relatório à “propaganda de Goebbels”5. Do lado oposto, o assunto foi igualmente superexplorado no contexto político suíço, algumas semanas depois da adoção pelo referendum de uma lei que prevê a expulsão dos “estrangeiros delinquentes”. A presidente da Confederação, Micheline Calmy-Rey, preferiu então “adiar” o recebimento do “prêmio da diáspora” que deveria lhe ser atribuído, no fim de dezembro, pela embaixada do Kosovo, em Berna. Os albaneses, além de alimentarem os números de crimes na Suíça, seriam também “traficantes de órgãos”. Entende-se que alguns não querem reconhecer essa incriminação coletiva.

Vários comentaristas estimam que seria “impossível” atribuir tal crime aos albaneses e tentam “relativizar” a importância do relatório lembrando a amplitude dos crimes cometidos pelos sérvios, no Kosovo e em outros lugares dos Balcãns. É surpreendente a mudança de muitos, que apresentaram Del Ponte como uma heroína da justiça internacional, quando ela perseguia os criminosos de guerra sérvios e passaram ao ponto de colocar em dúvida sua saúde mental, desde o momento em que ela evocou esse tráfico. Florence Hartman, antiga porta voz de Del Ponte, a criticou em várias entrevistas como irresponsável por ter apresentado “como fatos reconhecidos, simples hipóteses”, ressaltando que as investigações conduzidas pelo TPIY não tinham encontrado provas conclusivas. Contudo, essas investigações, especialmente na famosa “casa amarela” de Rripë, nunca puderam ser levadas a termo, em parte por causa da recusa de colaboração das autoridades albaneses6.

Mesmo esperando uma investigação séria e sistemática que possa trazer à tona a realidade do tráfico de órgãos e que acusações sejam eventualmente pronunciadas pelo tribunal competente, se pode considerar como verídicos vários fatos. A princípio, os corpos de centenas de sérvios e de outros prisioneiros do UCK nunca foram encontrados e é pouco provável que estejam sob o pequeno território do Kosovo, onde todos os eventuais lugares de chacinas e valas comuns já foram identificados e revirados. Também é certo que um número importante desses prisioneiros foi deportado para a Albânia, onde o UCK tinha uma rede de centros de detenção. Devemos admitir também que mais de dez anos depois dos fatos, é muito provável que esses prisioneiros estejam hoje, na maioria, mortos. Seus corpos tampouco foram descobertos na Albânia7.

Por outro lado, a existência de um tráfico de órgãos em Kosovo, alimentado por “voluntários” que vão vender seus rins já foi comprovado. Pacientes, principalmente israelenses, vão à clínica Medicus de Prístina para receber os órgãos saudáveis. Esse tráfico implica um personagem muito inquietante, um cirurgião turco chamado Yusuf Erçin Sönmez, conhecido por “Doutor Abutre”, atualmente foragido.  O caso da clínica Medicus, cujo processo acaba de ser aberto em Prístina, não está obrigatoriamente ligado ao eventual tráfico de órgãos praticado, dez anos antes, com prisioneiros do UCK, mas as coincidências chamam atenção8.

As reações da mídia, da classe política e mais amplamente da sociedade albanesa, especialmente na diáspora9, lembram a negação, há muito tempo demonstrada por grandes setores da opinião sérvia face aos crimes cometidos por seu próprio exército. Os dois argumentos centrais são os mesmos: “nosso povo não pode ter cometido tal atrocidade”, e “nosso povo foi vítima de crimes ainda piores do que esses que lhes são imputados”. A realidade dos crimes cometidos pelas forças sérvias no Kosovo não invalida, no entanto, a hipótese de que alguns albaneses tenham cometido outro crime, particularmente infame.

O problema é que “o povo albanês” não é de forma alguma culpado desse eventual tráfico, assim como “o povo sérvio” não tem que suportar a responsabilidade pelo massacre genocida de Srebrenica: esses crimes têm seus culpados e cabe à justiça definir a responsabilidade pessoal. Essa é a única forma de evitar que povos inteiros, e as gerações futuras, carreguem o fardo penoso de uma responsabilidade coletiva. No Kosovo, somente Albin Kurti, o governante do movimento Vetëvendosja (“Autodeterminação”) parece ter compreendido o verdadeiro significado do que está em jogo. Ele pediu oficialmente que a Justiça se ocupe do dossiê de Thaçi, estimando que essa seria a única forma de limpar a honra da totalidade dos combatentes e de simpatizantes do UCK da suspeita de uma responsabilidade coletiva10.

Na Albânia, uma das raras vozes críticas que se levantou foi a do ensaísta Fatos Lubonja, antigo prisioneiro político do regime stalinista e grande figura de esquerda. Em uma matéria publicada pelo jornal Panorama, Lubonja ousa estabelecer um paralelo entre esse suposto crime e o ocorrido em Srebrenica, enfatizando que os albaneses correm o risco, de agora em diante, de suportar o peso arrasador em seu consciente coletivo. Denunciando a “frente patriótica”, que se forma de Tirana à Prístina, para recusar que seja feita uma investigação, ele escreve: “a acusação é certamente pesada, mas recusar a investigação que a confirmaria ou a desmentiria é ainda pior. Essa recusa faz de todos nós culpados e creio que a maioria dos albaneses não gostaria de se sentir envolvido nesse tipo de crime”11.

As criticas de Marty apontam a ausência de provas fornecidas para seu relatório. A resolução adotada por unanimidade pela Comissão da assembleia parlamentar do Conselho da Europa pede justamente que as investigações sejam diligentes para encontrar essas provas. Na voz da sua representante de política externa, Catherine Ashton, a União Europeia avaliou que essa investigação deveria ser dirigida pela missão europeia Eulex, encarregada de ajudar as instituições do Kosovo na construção do Estado de direito. Sempre repetindo suas críticas, o governo albanês comunicou que não se oporia. Por sua vez, Del Ponte levantou o problema da jurisdição competente para julgar tal assunto: o TPIY não poderia mais abrir novos dossiês e seria necessário criar um tribunal ad hoc, ou transmitir o dossiê a Corte Penal internacional (CPI)12.

Enfim, as responsabilidades que apontam o relatório não concernem somente a Thaçi e os antigos dirigentes da guerrilha albanesa. No seu livro, Del Ponte explica o muro no qual ela se chocou, quando tentou, a partir de 2000, conduzir investigações sobre os supostos crimes do UCK, citando nomeadamente o chefe da missão da ONU, Bernard Kouchner, assim como o general francês Valentin, então comandante-chefe da KFOR. Para tentar explicar esse bloqueio, ela escreve: “Estou certa de que os responsáveis da MINUK e mesmo da KFOR temem por suas vidas e pela vida dos membros de suas missões”. Indo mais longe, ela acrescenta: “no espírito da MINUK e da KFOR, [Hashim] Thaçi e [o antigo chefe militar da UCK, Agim]. Ceku não representava unicamente um perigo para segurança de seu pessoal e o cumprimento das suas missões: eles colocariam em perigo toda a construção do processo de paz nos Bálcãs”13.

Em entrevista publicada em 21 de dezembro pelo jornal sérvio Politka, o capitão canadense Stu Kellock, antigo chefe do departamento de polícia de Minuk, declara: “Não posso afirmar que Kouchner conhecia o tráfico de órgãos, mas é impossível que não tenha tido informações sobre o crime organizado no Kosovo.” De fato, a luta contra o crime organizado representava uma das prioridades das missões internacionais. O capitão Kellock explica igualmente que “toda crítica contra Hashim Thaçi e os seus” era imediatamente rejeitada nos “círculos onde [ele] trabalhava”14.

Por “realismo político”, vários países ocidentais optaram por jogar a “carta” política que representava Thaçi. É sabido que este último era aconselhado, já durante a guerra, por agentes de certos serviços de informação, especialmente a DGSE francesa. A implicação direta de Thaçi em várias atividades ilegais (extorção, lavagem de dinheiro etc.) está igualmente comprovada. Por causa da preocupação de não “queimar” um precioso aliado político, os “protetores” ocidentais de Thaçi escolheram passar uma esponja em seus “pecados veniais”. Se uma investigação confirma a implicação de Thaçi em um abjeto tráfico de órgãos, seus “protetores” ocidentais correm o risco de serem prejudicados.

Interrogado por um jornalista sérvio sobre o tráfico de órgãos em 27 de fevereiro, quando estava fazendo uma viagem oficial ao Kosovo, Kouchner, então ministro dos Negócios Estrangeiros, explodiu de rir, antes de exclamar: “eu tenho cara de quem vende órgãos?”, e de sugerir ao jornalista “para ir se tratar”15. O riso de Kouchner ecoa hoje de maneira sinistra.

Jean-Arnault Dérens redator-chefe do Courrier des Balkans.

 

 


1 O relatório está disponível no site do Conselho Europeu.2 Tradução francesa: Carla Del Ponte, A caçada. Os criminosos de guerra e eu, Paris, Heloïse d`Ormesson, 2009.

3 Ler Altin Raxhimi, Michael Montgomery e Vladimir Karaj, “ Albânia e Kosovo: os campos da morte do UCK”, O Correio dos Bálcãs, 10 de abril de 2009.

4 “Dick Marty: “A independência do Kosovo nao foi decidida na Prístina”, voltairenet.org, 12 de março de 2008.

5 “Martys Vorgehen erinnert mich an Goebbels”, Tages Anzeiger, 30 de dezembro de 2010.

6 Ler Ben Andoni, “Tráfico de órgãos na Albânia: na “clínica fantasma” de Carla Del Ponte”, O Correio dos Bálcãs, 19 de maio de 2008.

7 Lembremos que as autoridades albanesas tinham se recusado de acessar, em 2003, os pedidos dos investigadores do TPIY, que  gostariam de fazer as exumações no cemitério de Rrïpe. Essa recusa foi oficialmente justificada por “razões culturais”.

8 Ler Tráfico de órgãos: a vasta rede do “Doutor Abutre”, cirurgião turco” O Correio dos bálcãs, 21 de dezembro de 2010.

9 Ler Blerim  Shabani & Sevdail Tahiri, “O relatório de Dick Marty sacode a diáspora albanofone na suíça”,  albinfo.ch, 20 de dezembro de 2010.

10 Ler “Kosovo: Vetëvendosje pede que Thaçi seja apresentado a justiça”,      O Correio dos Bálcãs, 18 de dezembro de 2010.

11 Fatos Lubonja, “Pse refusohet raporti i Dick Marti?”, Panorama, 22 de dezembro de 2010.

12 Ler “ Tráfico de órgãos de UCK: Carla Del Ponte pela transmissão do dossiê a CPI” , O Correio dos bálcãs, 23 de dezembro de 2010.

13 Carla Del Ponte, A Caçada, op.cit., pp.460-461.

14 Ler Rade Maroevic, “Kusner je morao da zna”, Politika, 21 de dezembro de 2010, e R.S.V., “Tráfico de órgãos: kouchner sabia”, O Correio dos Balcãs, 29 de dezembro de 2010

15 O vídeo desse encontro circula muito na internet. Podemos consultar no Dailymoton.

Kosovo: Paz entre sérvios e albaneses só com inquérito ao tráfico de órgãos – MNE Sérvia

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  • Data de Publicação: May 12, 2011 11:35 PM
  • Última actualização: May 13, 2011 12:44 AM

Nova Iorque, 12 mai (Lusa) — O ministro sérvio dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que a paz entre sérvios e albaneses do Kosovo não será possível sem um inquérito por crime de guerra sobre o tráfico de órgãos retirados dos prisioneiros sérvios, noticia a AFP.

“Vamo-nos bater até que toda a verdade sobre o que se passou seja exposta à luz do dia”, declarou na Organização das Nações Unidas o chefe da diplomacia sérvia, Vuk Jeremic, tornando a apelar ao Conselho de Segurança para que ordene este inquérito.

Um relatório sobre os direitos do homem, promovido pela Conselho da Europa, e da autoria de Dick Marty, enumerou os raptos, os desaparecimentos, as execuções e o tráfico de órgãos de que foram vítimas os prisioneiros sérvios durante o conflito no Kosovo em 1999.

O relatório Marty estabeleceu a ligação entre o atual primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaci, e antigos dirigentes do Exército de Libertação do Kosovo com este tráfico de órgãos.
RN.

Lusa/Fim

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Nove suspeitos de crimes de guerra são presos em Kosovo

O Tráfico de órgãos no mundo ocidental tem como marco mais recente o final da Guerra da Bósnia, quando, quem não ficou com o tráfico de drogas, assumiu o tráfico de órgãos humanos. Celso Galli Coimbra OABRS 11352

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/02/12/servia-diz-que-ha-provas-para-investigar-venda-de-orgaos-humanos/

“A missão policial-judiciária também já começou a investigar um relatório do Conselho da Europa que acusou os membros do ELK de realizar sequestros, tráfico de armas e drogas e tráfico de órgãos humanos retirados de membros da etnia sérvia no fim da década de 1990

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Reuters/Brasil Online

PRISTINA (Reuters) – A missão policial-judiciária da União Europeia (Eulex) anunciou na quarta-feira a prisão de nove suspeitos de terem cometido crimes de guerra durante a guerra de 1998-99 em Kosovo.

“As prisões foram ordenadas por um juiz de instrução da Eulex no tribunal distrital de Pristina, com base em suspeitas de assassinatos, torturas e outros crimes contra civis e prisioneiros de guerra albaneses e sérvios de Kosovo, em um centro de detenção de Kosovo em 1999”, disse a Eulex em nota.

A missão, que tem alguns poderes executivos em casos envolvendo crimes de guerra, corrupção e crime organizado, disse que uma pessoa havia sido presa também em outro país.

A imprensa local disse que todos os nove presos são da etnia albanesa e pertenciam ao Exército de Libertação de Kosovo (ELK), que combateu as forças sérvias durante a guerra que levou à independência da região.

Um deles é um comandante da polícia na região de Prizren, segundo a imprensa.

Mais de 10 mil civis, majoritariamente de etnia albanesa, foram mortos durante a guerra contra as forças sérvias.

Outros 800 mil albaneses tiveram de deixar suas casas na antiga província sérvia durante o conflito. A repressão de Belgrado aos kosovares levou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a bombardear a Sérvia, e a Organização das Nações Unidas (ONU) acabou assumindo o controle de Kosovo em 1999.

A missão policial-judiciária também já começou a investigar um relatório do Conselho da Europa que acusou os membros do ELK de realizar sequestros, tráfico de armas e drogas e tráfico de órgãos humanos retirados de membros da etnia sérvia no fim da década de 1990.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/03/16/nove-suspeitos-de-crimes-de-guerra-sao-presos-em-kosovo-924026906.asp

(Reportagem de Fatos Bytyci)

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