Morte encefálica? Anestesia geral para os doadores de órgãos, recomendação da Revista dos Anestesistas

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Em 29 de setembro do ano de 2000, na Inglaterra, a Revista dos Anestesistas “Anestesia”, recomendava em Editorial anestesia geral para os doadores de órgãos, para que não sentissem dores na extração de seus órgãos vitais.

Mortos?

Enquanto no Brasil, duas declarações de morte encefálica estão em prática, uma que esgota os recursos terapêuticos em favor da vida do potencial doador de órgãos vitais únicos, OUTRA que segue o Protocolo de morte do CFM, Resolução CFM 1.480/97, e precipita uma morte que pode ser evitada em 2/3 dos potenciais doadores de órgãos.

Veja no Programa da TV Cultura que gravamos abaixo, membro da Câmara Técnica Brasileira da Morte Encefálica e autor desta Resolução, reconhecer em público que 10 minutos de teste da apnéia é fatal para a vida do paciente e, de forma falsa, esforçando-se para obter concordância, dizer que o teste da apnéia (desligamento do respirador por 10 minutos) seria de “apenas 3 minutos”.

Duas declarações de mortes, duas formas de captar órgãos vitais: uma é tráfico de órgãos, com certeza, e praticado dentro do SUS.

Celso Galli Coimbra – OABRS 11352

anestesia

Morte Encefálica: a verdade sobre o teste da apnéia na declaração de morte no Brasil

O neurologista Celio Levyman, um dos 12 elaboradores dos critérios da morte encefálica no Brasil, então o coordenador da Comissão Técnica de Critérios de Morte Encefálica do CRM e membro da Câmara Técnica Permanente de Morte Encefálica do Conselho Federal de Medicina, portanto autor e subscritor da Resolução CFM 1.480/97, que estabelece o procedimento declaratório de morte encefálica no Brasil, em debate no Programa Opinião, da TV Cultura de São Paulo, do dia 16 de janeiro de 1998, afirma publicamente sobre o teste da apnéia usado para a verificação da morte encefálica:

” O teste da apnéia não é feito com 10 minutos, realmente deixar 10 minutos sem respirar, naturalmente, que o desastre será total, o teste da apnéia é feito com um tempo muito menor. O tempo definido é de dois a três minutos.” (estas são palavras textuais de Celio que você poderá assistir no vídeo acima)

Na resolução 1.480/97, elaborada por ele próprio consta 10 minutos!

A gravação do programa está agora disponível para todos assistirem e tirarem suas próprias conclusões sobre o fato óbvio de que uma personalidade com alta responsabilidade como Levyman, que exerceu uma função pública ao participar da elaboração dos procedimentos declaratórios da morte encefálica, visto que esta Resolução CFM 1480/97 foi decorrente de competência outorgada pela Lei dos Transplantes ao CFM, jamais poderia estar ignorando ou enganando-se quanto ao tempo efetivo previsto naquele Protocolo para duração do tempo do teste (teste da apnéia) de desligar o respirador do paciente traumatizado encefálico severo para verificação da ocorrência da morte que dá condições de retirada de órgãos para transplantes.

Sob o ponto de vista jurídico penal: morte não pode ser declarada com tanta incidência de dúvidas, incertezas ou contradições (?) notórias de parte até mesmo de quem redigiu os seus procedimentos declaratórios constantes na Resolução 1.480/97, ainda mais que esta “morte” foi concebida, na sua origem, pelo Comite Ad Hoc da Harvard Medical School em 1968, sem qualquer indicação bibliográfica, para viabilizar a indústra transplantadora nascente, o que exigia primeiro criar mecanismos para isentar os médicos autores desta declaração prognóstica de responsabilidades criminais e que, também, preservasse a atividade cardiorrespiratória do doador durante a extração dos órgãos, a qual é indispensável para o aproveitamento de órgãos viáveis para transplantes. Tudo com a finalidade de promover a transferência de recursos biológicos da vida de uma pessoa/paciente doadora para outra pessoa/paciente receptora, que aguarda pela “morte” da primeira para poder sobreviver. Logo, é NOTÓRIO o conflito de interesses de vida entre pacientes e seus médicos, dentro da Medicina a partir de 1968, tanto quanto a subordinação de toda a Medicina aos interesses exclusivamente transplantadores, em especial a Neurologia.

Este vídeo foi entregue no ano de 2000 para o Ministério Público Federal — através de Interpelação Judicial a este Órgão, na Justiça Federal do Rio Grande do Sul — por 74 brasileiros, representados pelo advogado que posta esta mensagem, junto com ampla documentação médica e científica, e 40 quesitos neurológicos para esclarecer os erros do procedimento declaratório da morte encefálica. Retida esta apresentação pelo MPF por vários anos, ela finalmente foi entregue ao CFM em 2004 e este órgão não conseguiu enfrentar o contraditório técnico que lhe foi oposto.

Celso Galli Coimbra
OABRS 11352
cgcoimbra@gmail.com

Sobre o mesmo assunto, veja também:

Morte encefálica e transplantes: primeiro debate aberto ao público com presença do CFM:
https://biodireitomedicina.wordpress.com/2011/11/01/morte-encefalica-e-transplantes-primeiro-debate-aberto-ao-publico-com-presenca-do-cfm/

Entrevista sobre teste da apnéia, morte encefálica e transplantes de órgãos

Em 20 de maio de 2003, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul promoveu o primeiro debate aberto ao público no Brasil sobre morte encefálica e transplantes de órgãos com a presença do Conselho Federal de Medicina, representado pelo Presidente da Câmara Técnica Brasileira da Morte Encefálica, Dr. Solimar Pinheiro da Silva. Estavam presentes também os representantes do Poder Judiciário, do Ministério Público do Estado, do CREMERS e do Executivo. O Ministério Público Federal foi convidado, mas não enviou representante.

Neste debate, o representante do CFM afirmou textualmente que o teste da apnéia (desligamento do respirador por 10 minutos) é INDISPENSÁVEL para declarar a morte encefálica e é um procedimento DOGMÁTICO. Se dogmático, como o responsável por este procedimento afirmou naquela oportunidade, fica evidente que está afastado de seu uso qualquer base CIENTÍFICA e, portanto, médica neurológica válida. As atas dos debates podem ser encontradas em

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/14/seminario-sobre-morte-encefalica-e-transplantes-de-20052003-na-assembleia-legislativa-do-estado-do-rio-grande-do-sul/

Neste evento, foi apresentado também o vídeo que está no endereço:

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2011/11/01/morte-encefalica-a-verdade-sobre-o-teste-da-apneia-na-declaracao-de-morte-no-brasil/

onde surge comprovado que o teste da apnéia, como previsto na Resolução CFM 1.480/97, é FATAL para a vida do potencial doador de órgãos e, portanto, indispensável para que exista um maior aporte de órgãos para a atividade transplantadora.

Mais tarde, em 05 de outubro de 2003, a Folha de São Paulo torna público que o procedimento declaratório da morte encefálica é feito de DUAS maneiras diferentes para o mesmo quadro clínico de traumatismo encefálico severo (o “potencial” doador de órgãos), DEPENDENDO do hospital onde o paciente estiver. A reportagem “CFM será obrigado a explicar morte cerebral” pode ser encontrada neste endereço:

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/10/02/cfm-sera-obrigado-a-explicar-morte-cerebral-folha-de-sao-paulo/

Celso Galli Coimbra
OABRS11352
cgcoimbra@gmail.com

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Falta de exercício físico mata tanto como fumar

Logo, fumar e não fazer exercícios?

Não confundir a comparação do fumo e exercícios com a fumaça do cigarro inalada pelo fumante passivo, o que faz do cigarro algo que pode ser proibido, enquando o sedentarismo não o pode ser tal como o fumo em lugares frequentados por outras pessoas.

Por igual não se deve deixar de esclerecer que exercício físico deve ter acompanhamento profissional, caso contrário também causará danos à saúde.

Celso Galli Coimbra
OABRS 11352
cgcoimbra@gmail.com
 
 “Teoricamente, certos casos de doença poderiam ser prevenidos se a população se tornasse ativa fisicamente. Os cientistas chegaram à conclusão que, se a inatividade fosse reduzida em 10%, talvez se evitassem cerca de 500 mil mortes por ano. Já se a redução fosse de 25%, possivelmente seriam prevenidas cerca de um milhão de mortes.”
 

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A revista Lancet publicou uma série de estudos que consideram que a falta de atividade física é uma pandemia, tão mortífera como o tabaco.

Uma equipe de investigadores chegou à conclusão que a inatividade física mata tanto como o tabagismo, sendo mesmo uma pandemia.

De acordo com os dados apurados pelos cientistas, cerca de uma em cada dez mortes prematuras em todo o mundo deriva da falta de exercício físico. O número de mortes prematuras causadas pelo tabaco é aproximadamente o mesmo.

Em 57 milhões de mortes em 2008, cerca de cinco milhões podem ser atribuídas à inatividade, estimam os investigadores.

Isto porque a estimativa teve em conta quatro doenças: diabetes tipo 2, doenças do coração, cancro da mama e cancro do cólon, nas quais um dos fatores de risco é, precisamente, a falta de exercício.

Colesterol, pressão arterial alta e níveis de açúcar elevados no sangue são sintomas que contribuem para a diabetes e doenças do coração e que podem ser combatidos com a prática de exercício.

No caso do cancro da mama, a redução de gordura corporal pode servir de proteção às mulheres, pois a gordura pode desencadear o crescimento de tumores no tecido mamário.

No que toca ao cancro do colón, os cientistas acreditam que o exercício ajuda a manter uma digestão regular, prevenindo a acumulação de resíduos potencialmente cancerígenos, que originem tumores.

Teoricamente, certos casos de doença poderiam ser prevenidos se a população se tornasse ativa fisicamente. Os cientistas chegaram à conclusão que, se a inatividade fosse reduzida em 10%, talvez se evitassem cerca de 500 mil mortes por ano. Já se a redução fosse de 25%, possivelmente seriam prevenidas cerca de um milhão de mortes.

O mínimo de exercício recomendado são cerca de duas horas e meia por semana, que pode ser dividido por meia hora a andar rapidamente, cinco vezes por semana, por exemplo. No entanto, cerca de 30% dos adultos em todo o mundo não atingem esse mínimo.

Fonte: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=2675668&page=-1

 

Asma e Vitamina D – Vitamin D deficiency and poorer lung function in asthmatic children treated with steroids

Asthma in America

Asthma in America (Photo credit: GDS Infographics)

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Assista à entrevista sobre este assunto, em português:

Vitamina D – Sem Censura – Dr. Cicero Galli Coimbra e Daniel Cunha

Ao vídeo:

Vitamina D – Por uma outra terapia (Vitamin D – For an alternative therapy)

Leia:

Vitamina D pode revolucionar o tratamento da esclerose múltipla

 

 

Vitamin D deficiency is associated with poorer lung function in asthmatic children treated with inhaled corticosteroids, according to a new study from researchers in Boston.

“In our study of 1,024 children with mild to moderate persistent asthma, those who were deficient in vitamin D levels showed less improvement in pre-bronchodilator forced expiratory volume in 1 second (FEV1) after one year of treatment with inhaled corticosteroids than children with sufficient levels of vitamin D,” said Ann Chen Wu, MD, MPH, assistant professor in the Department of Population Medicine at Harvard Medical School and Harvard Pilgrim Health Care Institute. “These results indicate that vitamin D supplementation may enhance the anti-inflammatory properties of corticosteroids in patients with asthma.”

The findings were published online ahead of print publication in the American Thoracic Society‘s American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

The study was conducted using data from the Childhood Asthma Management Program, a multi-center trial of asthmatic children between the ages of five and 12 years who were randomly assigned to treatment with budesonide (inhaled corticosteroid), nedocromil, or placebo. Vitamin D levels were categorized as deficient (≤ 20 ng/ml), insufficient (20-30 ng/ml), or sufficient (> 30 ng/ml).

Among children treated with inhaled corticosteroids, pre-bronchodilator FEV1 increased during 12 months of treatment by 330 ml in the vitamin D insufficiency group and 290 ml in the vitamin D sufficiency group, but only 140 ml in the vitamin D deficient group.

Compared with children who were vitamin D sufficient or insufficient, children who were vitamin D deficient were more likely to be older, be African American, and have higher BMI. Compared with being vitamin D deficient, being vitamin D sufficient or insufficient was associated with a greater change in pre-bronchodilator FEV1 over 12 months of treatment after adjustment for age, gender, race, BMI, history of emergency department visits, and season that the vitamin D specimen was drawn.

The study had some limitations, including a small sample size of 101 vitamin D deficient children, and the investigators only studied vitamin D levels at one time point.

“Our study is the first to suggest that vitamin D sufficiency in asthmatic children treated with inhaled corticosteroids is associated with improved lung function,” said Dr. Wu. “Accordingly, vitamin D levels should be monitored in patients with persistent asthma being treated with inhaled corticosteroids. If vitamin D levels are low, supplementation with vitamin D should be considered.”
Source: American Thoracic Society

http://www.sciencecodex.com/vitamin_d_deficiency_and_poorer_lung_function_in_asthmatic_children_treated_with_steroids-94927

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Tabagismo possui ligação com risco aumentado de câncer da pele

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Portal de Oncologia Português

Uma meta-análise reúne evidências de que fumar possui ligação com risco aumentado de cancro da pele – carcinoma de células escamosas, avança o portal ISaúde.

Cerca de 97% dos cancros de pele se originam no tecido celular na pele (cancro epitelial) e são carcinomas de células basais ou carcinomas de células escamosas, que são classificados como cancros de pele – não melanoma (NMSC – sigla em inglês).

Casos de NMSC estão aumentando em todo o mundo. Estima-se que a cada ano surjam de dois a três milhões de novos casos da doença.

Uma equipa de investigadores liderada por Jo Leonardi-Bee, do Centre for Tobacco Control Studies, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, conduziu uma meta-análise de 25 estudos. “Esta revisão sistemática e meta-análise mostrou uma relação clara e consistente entre o tabagismo e casos de carcinomas de células escamosas, com aumento de 52% nas probabilidades. Entretanto, nenhuma associação clara foi observada entre tabagismo e carcinomas de células basais ou NMSC.

” «Os maiores efeitos da associação entre tabagismo e o carcinoma de células escamosas foram identificados em fumantes ou pessoas que nunca fumaram, com menor efeito ocorrendo em ex-fumantes”, afirmam os investigadores.

Os investigadores afirmam que as descobertas podem ser generalizadas devido ao fato de que os estudos que analisadas incluíram os resultados de 11 países de quatro continentes que analisaram populações da meia-idade à velhice.

“Este estudo destaca a importância de os clínicos identificarem os pacientes de alto risco, incluindo fumantes actuais, para possibilitar o diagnóstico precoce do cancro, pois isso pode melhorar o prognóstico, pois as lesões iniciais são mais fáceis de tratar”, conclui Leonardi-Bee.
2012-06-25 | 09:16
http://www.pop.eu.com/news/7315/26/Tabagismo-possui-ligacao-com-risco-aumentado-de-cancro-da-pele.html

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Morte encefálica: menina de 2 anos, hipotermia

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07 de Junho de 1997 – Programa Mendes Ribeiro – Rádio Guaíba, Porto Alegre

No dia 10 de junho de 1986, uma menina de dois anos e meio de idade caiu em um riacho situado nos arredores da cidade de Salt Lake (EUA), e submergiu.    Devido à elevação da temperatura ambiental própria da estação, os picos montanhosos vizinhos encontravam-se em degelo, determinando no riacho um correnteza rápida e forte, e mantendo a água em temperatura em cerca de 5º.C.    Avisada por outra criança, a mãe acorreu ao local e, após 4 a 11 minutos de busca sem sucesso, chamou o serviço de resgate.  Em cerca de 8 minutos os paramédicos encontravam-se no local e, também não encontrando a menina, decidiram-se por reduzir a vazão de uma barragem situada correnteza acima.  Com o decréscimo do nível da água, puderam visualizar o braço da menina, de encontro a uma rocha situada a 20 metros do local da submersão.  Ela foi retirada da água 62 minutos depois do telefonema da mãe ao número de emergência, totalizando pelo menos 66 minutos de submersão.    Encontrava-se em parada cardíaca e respiratória, cianótica e flácida, com as pupilas dilatadas e fixas à luz. Apesar disso, a equipe paramédica deu início às manobras de reanimação, enquanto transportava a menina ao “Primary Children’s Medical Center“, de Salt Lake City, onde a pequena paciente deu entrada, apresentando uma temperatura retal de 22, 5oC, medida na sala de emergência.
De acordo com o conhecimento científico em vigência na época, e ainda hoje profundamente arraigado no meio médico, a hipotermia protegeria o cérebro contra a falta de oxigenação, por reduzir a necessidade do tecido nervoso por oxigênio.  A cada 8º.C de redução da temperatura do organismo, a quantidade de oxigênio necessária para manter a vitalidade do tecido cerebral reduz-se pela metade.  Assim, considerando-se como 5 minutos o tempo máximo de anóxia que o tecido nervoso consegue suportar sob temperatura normal (37oC) sem desenvolver lesão de suas células, a um nível próximo de 21C o cérebro da pequena paciente não poderia suportar mais do que 20 minutos de afogamento (a essa temperatura temos apenas 1/4 da necessidade normal de oxigênio, e portanto o cérebro poderia resistir a 4 x 5 minutos de anóxia, ou seja: 20 minutos).   Dessa forma, segundo o conceito científico vigente na época, como essa temperatura não foi atingida de imediato a partir da submersão, a menina não poderia sobreviver sem lesão cerebral irreversível, mesmo que apenas esse tempo (20 minutos) houvesse decorrido até o resgate e o início das manobras de reanimação.
 
A equipe pediátrica que recebeu a menina poderia, portanto, ter apenas assinado o atestado de óbito, enviando o corpo para o necrotério, sendo bastante provável que, na maioria dos centros de atendimento de emergência de qualquer lugar do mundo, teria sido essa a conduta tomada.
 

 

 
Ao contrário, movidos provavelmente pelo impacto emocional da situação, os plantonistas sustentaram as manobras de reanimação, enquanto tentavam obter o reaquecimento do pequeno corpo, sem sucesso, pois a temperatura continuava a reduzir-se, atingindo 19C.    Com a concordância dos pais, transportaram a menina para o bloco cirúrgico, onde, cerca de 3 horas após o momento da submersão, ela foi conectada a uma máquina de circulação sangüínea extra-corpórea, capaz, como se sabe, de eficientemente reaquecer o sangue à medida que o faz circular.   Ao atingir a temperatura central cerca de 25oC, a menina abriu espontaneamente os olhos e suas pupilas oculares tornaram-se novamente reativas à luz.   Ao mesmo tempo, desenvolveu fibrilação ventricular que de imediato respondeu aos antiarrímicos administrados, reassumindo o coração o ritmo sinusal.   A paciente permaneceu conectada ao aparelho ao longo de 53 minutos, até atingir novamente a temperatura de 37oC, perfazendo um decurso total de aproximadamente 4 horas, decorridas desde o momento da submersão até a retomada da temperatura normal.
 

Ao longo dos 6 dias que se seguiram a menina teve de ser mantida conectada a um respirador mecânico devido aos distúrbios pulmonares determinados pelo afogamento.  No 7o. dia o tubo introduzido em sua via aérea e conectado ao respirador foi retirado, e a pequena paciente chorou.  No 14o. dia conseguia emitir frases de até 3 palavras!   A criança recebeu alta 2 meses após a ocorrência do acidente, apresentando um desenvolvimento psicomotor normal para sua idade!   Tinha como única alteração neurológica um discreto tremor, que encontrava-se quase desaparecido um ano depois, quando os médicos que a atenderam encontravam-se escrevendo o relato do caso, que veio a ser finalmente publicado no “Journal of The American Medical Association” (Bolte et al, 1988).

 

O Acidente de Salt Lake não foi um caso isolado. Na realidade, dentre os casos descritos na literatura médica, foi o 29o. caso de submersão com mais de 15 minutos de duração, em águas com temperatura inferior ou igual a 10C, seguido de recuperação sem seqüelas neurológicas.

Entretanto, dentre todos, o tempo de submersão do acidente de Salt Lake foi o mais prolongado, e também aquele em que o nível e a duração da hipotermia foi adequadamente documentado. Em contraposição, na literatura médica não consta recuperação neurológica em nenhum caso de submersão por mais de 15 minutos na ausência de hipotermia.
Esse caso marcou historicamente a instrumentalização da terapêutica da hipotermia moderada pós-isquêmica que viria a ocorrer em pleno início da “Década do Cérebro” – década de 90 –, e dez anos depois estaria em uso clínico ativo no ocidente em hospitais alemães com seres humanos, não com animais, salvando vidas de pessoas destinadas a um diagnóstico precoce de morte encefálica que se supunha até então ocorreria em no máximo cinco minutos de falta de oxigenação encefálica.  Quando leva certamente horas para ocorrer.  Não ocorre em alguns minutos.
 
Na “década do cérebro”, em função da intensa busca de socorro terapêutico para os sequelados neurológicos, foi demonstrado que os critérios diagnósticos da morte encefálica concebidos em 1968 pelo Comite Ad Hoc da Harvard Medical School para viabilizar a lucrativa terapêutica transplantadora emergente, estavam completamente errados.
E o erro não estava no conceito, estava em seus critérios, portanto no procedimento diagnóstico extremamente precipitado, que não só antecipa o “diagnóstico” de morte, mas o provoca com o desligamento do respirador por 10 minutos para ver se o paciente volta a respirar .
 
CGCoimbra
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Morte Encefálica: a verdade sobre o teste da apnéia na declaração de morte no Brasil

TESTE DA APNÉIA: DECLARAÇÕES DO NEUROLOGISTA CELIO LEVYMAN

O neurologista Celio Levyman, um dos 12 elaboradores dos critérios da morte encefálica no Brasil, então o coordenador da Comissão Técnica de Critérios de Morte Encefálica do CRM e membro da Câmara Técnica Permanente de Morte Encefálica do Conselho Federal de Medicina, portanto autor e subscritor da Resolução CFM 1.480/97, que estabelece o procedimento declaratório de morte encefálica no Brasil, em debate no Programa Opinião, da TV Cultura de São Paulo, do dia 16 de janeiro de 1998, afirma publicamente sobre o teste da apnéia usado para a verificação da morte encefálica:

” O teste da apnéia não é feito com 10 minutos, realmente deixar 10 minutos sem respirar, naturalmente, que o desastre será total, o teste da apnéia é feito com um tempo muito menor. O tempo definido é de dois a três minutos.”  (estas são palavras textuais de Celio que você poderá assistir no vídeo acima)

Na resolução 1.480/97, elaborada por ele próprio consta 10 minutos!

A gravação do programa está agora disponível para todos assistirem e tirarem suas próprias conclusões sobre o fato óbvio de que uma personalidade com alta responsabilidade como Levyman, que exerceu uma função pública ao participar da elaboração dos procedimentos declaratórios da morte encefálica, visto que esta Resolução CFM 1480/97 foi decorrente de competência outorgada pela Lei dos Transplantes ao CFM, jamais poderia estar ignorando ou enganando-se quanto ao tempo efetivo previsto naquele Protocolo para duração do tempo do teste (teste da apnéia) de desligar o respirador do paciente traumatizado encefálico severo para verificação da ocorrência da morte que dá condições de retirada de órgãos para transplantes.

Sob o ponto de vista jurídico penal:   morte não pode ser declarada com tanta incidência de dúvidas, incertezas ou contradições (?) notórias de parte até mesmo de quem redigiu os seus procedimentos declaratórios constantes na Resolução 1.480/97, ainda mais que esta “morte” foi concebida, na sua origem, pelo Comite Ad Hoc da Harvard Medical School em 1968, sem qualquer indicação bibliográfica,  para viabilizar a indústra transplantadora nascente, o que exigia primeiro criar mecanismos para isentar os médicos autores desta declaração prognóstica de responsabilidades criminais e que, também, preservasse a atividade cardiorrespiratória do doador durante a extração dos órgãos, a qual é indispensável para o aproveitamento de órgãos viáveis para transplantes.   Tudo com a finalidade de promover a transferência de recursos biológicos da vida de uma pessoa/paciente doadora para outra pessoa/paciente receptora, que aguarda pela “morte” da primeira para poder sobreviver.  Logo, é NOTÓRIO o conflito de interesses de vida entre pacientes e seus médicos, dentro da Medicina a partir de 1968, tanto quanto a subordinação de toda a Medicina aos interesses exclusivamente transplantadores, em especial a Neurologia.

Este vídeo foi entregue no ano de 2000 para o Ministério Público Federal – através de Interpelação Judicial a este Órgão, na Justiça Federal do Rio Grande do Sul – por 74 brasileiros, representados pelo advogado que posta esta mensagem, junto com ampla documentação médica e científica, e 40 quesitos neurológicos para esclarecer os erros do procedimento declaratório da morte encefálica.   Retida esta apresentação pelo MPF por vários anos, ela finalmente foi entregue ao CFM em 2004 e este órgão não conseguiu enfrentar o contraditório técnico que lhe foi oposto.  

Celso Galli Coimbra
OABRS 11352
cgcoimbra@gmail.com
 
Sobre o mesmo assunto, veja também:
 

Morte encefálica e transplantes: primeiro debate aberto ao público com presença do CFM

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Tráfico de órgãos é uma realidade comprovada no Brasil e no exterior

A Revista Newsweek de 19 de janeiro corrente, reproduzida após estes comentários, traz mais uma reportagem sobre tráfico de órgãos.

Poucas pessoas sabem destes fatos porque a mídia recusou-se a divulgá-los para não comprometer interesses dos lucros que gravitam em torno do sistema transplantador no Brasil: no ano de 2004, houve a realização de uma CPI do Tráfico de Órgãos que comprovou a existência de tráfico de órgãos dentro de hospitais brasileiros, retirando por completo o rótulo de “lenda urbana” sobre este assunto. Mais: esta CPI, com a qual colaboramos, não constatou apenas a venda de um dos órgãos vitais duplos de pessoas que continuavam vivendo, mas o homicídio de crianças e jovens para a retirada de todos os seus órgãos. No decorrer destes acontecimentos, inclusive, o administrador de um hospital em Minas Gerais onde havia caso de tráfico conseguiu praticar “suicídio” com dois tiros na cabeça. A versão do suicídio com dois tiros foi aceita pelas autoridades e a razão pela qual ele morreu não foi investigada.

Foi constatado que o Brasil está entre os cinco países onde há maior incidência do tráfico de órgãos, junto com países como China e India.

Estes dados já eram denunciados pela antropóloga Nancy Scheper-Hughes da ONG http://sunsite.berkeley.edu/biotech/organswatch/

Neste espaço iremos disponibilizar todas as atas desta CPI. Na coluna à direita desta página pode ser consultada a categoria de links em “Tráfico de Órgãos”.

A Resolução 1752/2004 do CFM [1], quando “autorizou” os médicos a retirarem os órgãos dos anencéfalos para transplantes, procurou “oficializar” esta prática em um universo de pessoas (anencéfalas) altamente vulneráveis.

Esta Resolução do CFM tem um conteúdo homicida, pois causar a morte do anencéfalo encontra tipificação no artigo 121 do Código Penal.

Antes da reportagem da Revista Newsweek de 19 de jan. colocamos links relacionados com este assunto [2].

[1] https://biodireitomedicina.wordpress.com/2008/12/29/anencefalia-morte-encefalica-e-o-conselho-federal-de-medicina/

[2]https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/05/transplantes-revista-dos-anestesistas-recomenda-em-editorial-realizacao-de-anestesia-geral-nos-doadores-para-que-nao-sintam-dor-durante-a-retirada-de-seus-orgaos-se-estao-mortos-para-que-a-recomend/

[2] http://www.nazioneindiana.com/2008/12/19/il-mercato-degli-organi-il-buco-nero-della-globalizzazione/

[2] https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/18/a-dura-realidade-do-trafico-de-orgaos/

[2] https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/11/morte-encefalica-o-teste-da-apneia-somente-e-feito-se-houver-a-intencao-de-matar-o-paciente/

Celso Galli Coimbra – OABRS 11352

Link para esta página e para a reportagem da Revista Newsweek:

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/01/27/trafico-de-orgaos-e-uma-realidade-comprovada-no-brasil/

“The World Health Organization estimates that one fifth of the 70,000 kidneys transplanted worldwide every year come from the black market.”


HEALTH

Not Just Urban Legend

Organ trafficking was long considered a myth. But now mounting evidence suggests it is a real and growing problem, even in America.

By the time her work brought her back to the United States, Nancy Scheper-Hughes had spent more than a decade tracking the illegal sale of human organs across the globe. Posing as a medical doctor in some places and a would-be kidney buyer in others, she had linked gangsters, clergymen and surgeons in a trail that led from South Africa, Brazil and other developing nations all the way back to some of her own country’s best medical facilities. So it was that on an icy February afternoon in 2003, the anthropologist from the University of California, Berkeley, found herself sitting across from a group of transplant surgeons in a small conference room at a big Philadelphia hospital.

By accident or by design, she believed, surgeons in their unit had been transplanting black-market kidneys from residents of the world’s most impoverished slums into the failing bodies of wealthy dialysis patients from Israel, Europe and the United States. According to Scheper-Hughes, the arrangements were being negotiated by an elaborate network of criminals who kept most of the money themselves. For about $150,000 per transplant, these organ brokers would reach across continents to connect buyers and sellers, whom they then guided to “broker-friendly” hospitals here in the United States (places where Scheper-Hughes says surgeons were either complicit in the scheme or willing to turn a blind eye). The brokers themselves often posed as or hired clergy to accompany their clients into the hospital and ensure that the process went smoothly. The organ sellers typically got a few thousand dollars for their troubles, plus the chance to see an American city.

As she made her case, Scheper-Hughes, a diminutive 60-something with splashes of pink in her short, grayish-brown hair, slid a bulky document across the table—nearly 60 pages of interviews she had conducted with buyers, sellers and brokers in virtually every corner of the world. “People all over were telling me that they didn’t have to go to a Third World hospital, but could get the surgery done in New York, Philadelphia or Los Angeles,” she says. “At top hospitals, with top surgeons.” In interview after interview, former transplant patients had cited the Philadelphia hospital as a good place to go for brokered transplants. Two surgeons in the room had also been named repeatedly. Scheper-Hughes had no idea if those surgeons were aware that some of their patients had bought organs illegally. She had requested the meeting so that she could call the transgression to their attention, just in case.

Hospital officials told NEWSWEEK that after meeting with Scheper-Hughes, they conducted an internal review of their transplant program. While they say they found no evidence of wrongdoing on the part of their surgeons, they did tighten some regulations, to ensure better oversight of foreign donors and recipients. “But that afternoon,” Scheper-Hughes says, “they basically threw me out.”

It’s little wonder. The exchange of human organs for cash or any other “valuable consideration” (such as a car or a vacation) is illegal in every country except Iran. Nonetheless, international organ trafficking—mostly of kidneys, but also of half-livers, eyes, skin and blood—is flourishing; the World Health Organization estimates that one fifth of the 70,000 kidneys transplanted worldwide every year come from the black market. Most of that trade can be explained by the simple laws of supply and demand. Increasing life spans, better diagnosis of kidney failure and improved surgeries that can be safely performed on even the riskiest of patients have spurred unprecedented demand for human organs. In America, the number of people in need of a transplant has nearly tripled during the past decade, topping 100,000 for the first time last October. But despite numerous media campaigns urging more people to mark the backs of their driver’s licenses, the number of traditional (deceased) organ donors has barely budged, hovering between 5,000 and 8,000 per year for the last 15 years.

In that decade and a half, a new and brutal calculus has emerged: we now know that a kidney from a living donor will keep you alive twice as long as one taken from a cadaver. And thanks to powerful antirejection drugs, that donor no longer needs to be an immediate family member (welcome news to those who would rather not risk the health of a loved one). In fact, surgeons say that a growing number of organ transplants are occurring between complete strangers. And, they acknowledge, not all those exchanges are altruistic. “Organ selling has become a global problem,” says Frank Delmonico, a surgery professor at Harvard Medical School and adviser to the WHO. “And it’s likely to get much worse unless we confront the challenges of policing it.”

For Scheper-Hughes, the biggest challenge has been convincing people that the problem exists at all. “It used to be a joke that came up at conferences and between surgeons,” she says. “In books and movies, you find these stories of people waking up in bathtubs full of ice with a scar where one of their kidneys used to be. People assumed it was just science fiction.” That assumption has proved difficult to dismantle. In the mid-1980s, rumors that Americans were kidnapping children throughout Central America only to harvest their organs led to brutal attacks on American tourists in the region. When those stories proved false, the State Department classified organ-trafficking reports under “urban legend.” Scheper-Hughes’s evidence, which is largely anecdotal and comes in part from interviews with known criminals, has not convinced department officials otherwise. “It would be impossible to successfully conceal a clandestine organ-trafficking ring,” Todd Leventhal, the department’s countermisinformation officer, wrote in a 2004 report, adding that stories like the ones Scheper-Hughes tells are “irresponsible and totally unsubstantiated.” In recent years, however, the WHO, Human Rights Watch and many transplant surgeons have broken with that view and acknowledged organ trafficking as a real problem.

At first, not even Scheper-Hughes believed the rumors. It was in the mid-1980s, during a study of infant mortality in the shantytowns of northern Brazil, that she initially caught wind of mythical “body snatcher” stories: vans of English-speaking foreigners would circle a village rounding up street kids whose bodies would later be found in trash bins removed of their livers, eyes, kidneys and hearts.

When colleagues in China, Africa and Colombia reported similar rumblings, Scheper-Hughes began poking around. Some stories—especially the ones about kidnapped children, stolen limbs and tourists murdered for organs—were clearly false. But it was also clear that slums throughout the developing world were full of AWOL soldiers, desperate parents and anxious teenage boys willing to part with a kidney or a slice of liver in exchange for cash and a chance to see the world—or at least to buy a car.

Before long, Scheper-Hughes had immersed herself in an underworld of surgeons, criminals and those eager to buy or sell whatever body parts could be spared. In Brazil, Africa and Moldova, newspapers advertised the sale and solicitation of human body parts while brokers trolled the streets with $100 bills, easily recruiting young sellers. In Istanbul, Scheper-Hughes posed as an organ buyer and talked one would-be seller down to $3,000 for his “best kidney.” In

But not all organs flowed from poor countries to rich ones; Americans, for example, were both buyers and sellers in this global market. A Kentucky woman once contacted Scheper-Hughes looking to sell her kidney or part of her liver so that she could buy some desperately needed dentures. And a Brooklyn dialysis patient purchased his kidney from Nick Rosen, an Israeli man who wanted to visit America.

Unlike some organ sellers, who told of dingy basement hospitals with less equipment than a spartan kitchen, Rosen found an organ broker through a local paper in Tel Aviv who arranged to have the transplant done at Mount Sinai Medical Center in New York. An amateur filmmaker, Rosen documented a portion of his odyssey on camera and sent the film to Scheper-Hughes, whose research he had read about online. The video excerpt that NEWSWEEK viewed shows Rosen meeting his broker and buyer in a New York coffee shop where they haggle over price, then entering Mount Sinai and talking with surgeons—one of whom asks him to put the camera away. Finally, after displaying his post-surgery scars for the camera, Rosen is seen rolling across a hotel bed covered in $20 bills; he says he was paid $15,000. (Brokers, on the other hand, typically net around $50,000 per transplant, after travel and other expenses. In America, some insurance plans will cover at least a portion of the donor’s medical expenses.)

The money changed hands outside the hospital’s corridors, and Rosen says that he deliberately misled the Mount Sinai doctors, but that no one there challenged him. “One hospital in Maryland screened us out,” he says. Tom Diflo, a transplant surgeon at New York University’s Langone Medical Center, points out that many would-be donors do not pass the psychological screening, and that attempting to film the event would probably have set off an alarm bell or two. “But the doctors at Mount Sinai were not very curious about me,” Rosen says. “We told them I was a close friend of the guy who I sold my kidney to, and that I was donating altruistically, and that was pretty much the end of it.” Citing privacy laws, Mount Sinai officials declined to comment on the details of Rosen’s case. But spokesperson Ian Michaels says that the hospital’s screening process is rigorous and comprehensive, and assesses each donor’s motivation. “All donors are clearly advised that it is against the law to receive money or gifts for being an organ donor,” he says. “The pretransplant evaluation may not detect premeditated and skillful attempts to subvert and defraud the evaluation process.”

Because many people do donate organs out of kindness, altruism provides an easy cover for those seeking to profit. And U.S. laws can be easy to circumvent, especially for foreign patients who may pay cash and are often gone in the space of a day. Diflo, who has worked in numerous transplant wards over the past two decades, says that while they are in the minority, hospitals that perform illegal transplants certainly exist in the United States. “There are a couple places around that have reputations for doing transplants with paid donors, and then some hospitals that have a ‘don’t ask, don’t tell’ policy,” he says. “It’s definitely happening, but it’s difficult to ferret out.”

Diflo became an outspoken advocate for reform several years ago, when he discovered that, rather than risk dying on the U.S. wait list, many of his wealthier dialysis patients had their transplants done in China. There they could purchase the kidneys of executed prisoners. In India, Lawrence Cohen, another UC Berkeley anthropologist, found that women were being forced by their husbands to sell organs to foreign buyers in order to contribute to the family’s income, or to provide for the dowry of a daughter. But while the WHO estimates that organ-trafficking networks are widespread and growing, it says that reliable data are almost impossible to come by. “Nancy has done truly courageous work, literally risking her life to expose these networks,” says Delmonico. “But anecdotes are impossible to quantify.”

Scheper-Hughes acknowledges that in gathering these anecdotes she has frequently bumped up against the ethical boundaries of her own profession. While UC Berkeley (which funds most of her work) granted special permission for her to go undercover, she still takes heat from colleagues: misrepresenting oneself to research subjects violates a cardinal rule of academic research. “I expect my methods to be met with criticism,” she says. “But being an anthropologist should not mean being a bystander to crimes against the vulnerable.”

While Rosen has fared well since the surgery—he recovered quickly, used the money to travel and stays in touch with his kidney recipient via Facebook—most of the donors Scheper-Hughes and her colleagues have spoken with are not so lucky. Studies show that the health risks posed by donating a kidney are negligible, but those studies were all done in developed countries. “Recovery from surgery is much more difficult when you don’t have clean water or decent food,” says Scheper-Hughes. And research on the long-term effects of organ donation—in any country—is all but nonexistent.

Last may, Scheper-Hughes once again found herself sitting across from a group of transplant surgeons. This time they were not as incredulous. More than 100 of them had come from around the world to Istanbul for a global conference on organ trafficking. Together, they wrote and signed the Declaration of Istanbul, an international agreement vowing to stop the commodification of human organs. But unless their document is followed by action, it will be no match for the thriving organ market. Even as illegal trade is exposed, a roster of Web sites promising to match desperate dialysis patients with altruistic strangers continues to proliferate unchecked. These sites have some surgeons worried. “We have no way to tell if money is changing hands or not,” says Diflo. “People who need transplants end up trying to sell themselves to potential donors, saying, ‘I have a nice family, I go to church,’ etc. Is that really how we want to allocate organs?”

Maybe not. But in the United States, the average wait time for a kidney is expected to increase to 10 years by 2010. Most dialysis patients die in half that time, and the desperate don’t always play by the rules.

http://www.newsweek.com/id/178873

Leia mais em:

Are Kidneys a Commodity?

http://www.newsweek.com/id/137544?tid=relatedcl

Organ Brokers

http://www.socyberty.com/Crime/Organ-Brokers.470441


Morte encefálica

Site da UNIFESP:

Autor: Dr. Cícero Galli Coimbra, Md, Phd, Professor Livre Docente

http://www.unifesp.br/dneuro/mortencefalica.htm

Em 1968, uma comissão “ad hoc” da Harvard Medical School – uma empresa privada dos EUA – publicamente redefiniu morte como “morte encefálica” (JAMA, 1968). Da comissão participaram 10 médicos, além de um advogado, um teólogo e um historiador. Representadas estavam, entre os participantes médicos, as especialidades de (1) cirurgia de transplantes, (2) anestesiologia, (3) neurologia e (4) psiquiatria (Giacomini, 1997). A comissão se reuniu em janeiro de 1968 – apenas 1 mês depois da ocorrência do primeiro transplante cardíaco na Cidade do Cabo (África do Sul) pelo cirurgião Christian Barnard e sua equipe -, vindo a concluir seus trabalhos em menos de 6 meses, ao início de junho do mesmo ano (Giacomini, 1997). O resultado de suas deliberações foi quase imediatamente publicado em uma edição de agosto do Journal of the American Medical Association (JAMA, 1968), sob o título de “A Definition of Irreversible Coma”. À época em que a comissão se reuniu caracterizava-se, claramente, um clima de corrida ao desenvolvimento tecnológico dos transplantes de órgãos, refreado pela legislação norte-americana vigente, que considerava a morte instalada somente quando por ocasião da parada definitiva da função cárdio-respiratória (Giacomini, 1997). Evidentemente, a parada cárdio-respiratória determina a lesão dos órgãos, tecidos ou partes do corpo a serem transplantados para outros indivíduos, estabelecendo-se interesses antagônicos junto ao leito de pacientes afetados por lesões cerebrais graves (Giacomini, 1997).

Os critérios clínicos utilizados para o diagnóstico de morte encefálica não são (e nem jamais o foram) fundamentados em achados científicos, e a sua proposição inicial, bem como as reformulações que a sucederam, estão e estiveram sempre vinculadas a erros de raciocínio e a conceitos confusos, mal aplicados ou formulados.

Em face do conhecimento neurocientífico acumulado a partir da década de 1980, e principalmente nos últimos anos, encontra-se concretamente divisada a possibilidade de que a aplicação de tais critérios, por ocasião da remoção de órgãos e tecidos (inclusive vitais) para transplantes, venha a ser feita em pacientes que se encontram na iminência de desenvolverem lesão irreversível de todo o encéfalo ou de parte dele, mas que, na realidade, sejam ainda recuperáveis.

Não se pode excluir que essa recuperação (obtida através de método dito “não convencional” de tratamento) venha a dar-se inclusive ao ponto de permitir a tais pacientes a retomada das atividades que executavam anteriormente ao evento causador da lesão encefálica determinante do estado de coma.

Provavelmente essa recuperação dar-se-á em um número maior de pacientes, e de forma mais completa, se o método não convencional em questão (a hipotermia moderada) for instituída ainda antes, ou pelo menos logo ao início da instalação do estado de iminência de irreversibilidade acima aludido.

Continua em: http://www.unifesp.br/dneuro/mortencefalica.htm

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