Estudo científico com 96 mil pacientes de todo o mundo associa uso de cloroquina a aumento de risco de morte

Enquanto 9,3% dos pacientes que não receberam a cloroquina morreram, índice foi de 16,4% a 23,8% nos grupos que receberam variações da substância

 

Reportagem de GaúchaZH

Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/coronavirus-servico/noticia/2020/05/estudo-com-96-mil-pacientes-de-todo-o-mundo-associa-uso-de-cloroquina-a-aumento-de-risco-de-morte-ckaidy5pe00cd015nh1yb0b8m.html

“A prestigiada revista científica inglesa sobre medicina The Lancet publicou nesta sexta-feira (22) o resultado de uma ampla pesquisa sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19.  A conclusão é de que não foi encontrado benefício do uso do medicamento — pelo contrário, ocorreram mais mortes — e houve piora cardíaca dos pacientes tratados com a cloroquina.

Os dados foram coletados em 671 hospitais de seis continentes e incluem pacientes hospitalizados entre 20 de dezembro de 2019 e 14 de abril com diagnóstico positivo da doença.

 

O resumo dos apontamentos diz que “não foi possível confirmar um benefício da hidroxicloroquina ou cloroquina, quando usado isoladamente ou com um macrolídeo (antibiótico), nos resultados hospitalares da covid-19. Cada um desses esquemas medicamentosos foi associado à diminuição da sobrevida hospitalar e a um aumento da frequência de arritmias ventriculares quando usado no tratamento da covid-19.”

 

A pesquisa foi feita com 96.032 pacientes com idade média de 53,8 anos e em número semelhante entre homens (53,7%) e mulheres (46,3%). Desses, 14.888 pacientes foram divididos em quatro grupos: 1.868 receberam cloroquina, 3.783 receberam cloroquina com um macrolídeo, 3.016 receberam hidroxicloroquina e 6.221 receberam hidroxicloroquina com um macrolídeo. Os demais pacientes (81.144) formaram o chamado grupo de controle, que não recebeu os medicamentos para que pudesse ser comparada a efetividade do tratamento dos demais.

Somados todos os participantes do estudo, a mortalidade no experimento foi de 11,1% dos pacientes (10.698).

 

Quando comparada à mortalidade do grupo controle, todos os quatro tipos de tratamento foram associados independentemente a um significativo aumento de risco de mortalidade hospitalar. No grupo de controle, houve 9,3% de mortes. Entre os que usaram apenas cloroquina, 16,4% morreram. Dos que a receberam associada a um macrolídeo, 22,2% morreram. Com a hidroxicloroquina, os índices são ainda maiores: 18% de mortes e 23,8% quando ministrada com um macrolídeo.

O risco de arritmia ventricular durante a hospitalização também foi verificado nos quatro tratamentos. Em comparação ao grupo de risco, em que a arritmia foi de 0,3%, com a hidroxicloroquina sozinha ela foi de 6,1%, com a hidroxicloroquina associada a um macrolídeo foi 8,1%, com a cloroquina sozinha foi 4,3% e com a cloroquina associada a um macrolídeo foi 6,5%.

 

O texto da The Lancet é enfático:

“Nesta grande análise multinacional com casos reais, não observamos nenhum benefício da hidroxicloroquina ou cloroquina (quando usado isoladamente ou em combinação com um macrolídeo) nos resultados hospitalares, quando iniciado precocemente após o diagnóstico de covid-19. Cada um dos regimes medicamentosos de cloroquina ou hidroxicloroquina isoladamente ou em combinação com um macrolídeo foi associado a um risco aumentado de ocorrência clinicamente significativa de arritmias ventriculares e aumento do risco de morte hospitalar com covid-19”.

Na quarta-feira (20), o Ministério da Saúde incluiu a cloroquina, e seu derivado hidroxicloroquina, em uma nota técnica com orientações sobre o tratamento para pacientes com sintomas leves de covid-19. De acordo com o documento divulgado pela pasta, cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, sendo necessária também a vontade declarada do paciente, com a assinatura do termo de ciência e consentimento.

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Foto por Renato Danyi em Pexels.com

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CDC dos EUA retira orientações sobre cloroquina e hidroxicloroquina de seu site – Trump e Bolsonaro insistem no engano à população

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Trump e Bolsonaro estão forçando de forma abusiva e sem respaldo médico científico o uso da cloroquina e hidroxicloroquina para suas respectivas populações, quando a verdade é que não existe comprovação científica alguma de que esses fármacos – perigosos por terem efeitos colaterais gravíssimos – tenham alguma efetividade para tratar o Covid-19.

O CDC dos EUA e o Ministério da Saúde brasileiro foram pressionados a indicar esse fármaco como uma solução e isto não é verdade. Pelo contrário, há relatos médicos de mortes relacionadas ao uso do mesmo, há estudos publicados em revistas médicas científicas apontando a ausência de efeitos e uso por mais tempo do respirador associado a essas indicações dos dois presidentes.

Posteriormente, o Centro de Controle Doenças (CDC) retificou os supostos e meros “relatos de eficácia” desses fármacos que publicara,  e corrigiu sua página nos termos reproduzidos a seguir:

(…)

“Agora o website do CDC não possui mais as informações. Em vez disso, a primeira frase diz: “Não há medicamentos ou outros terapêuticas aprovados pela Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) para prevenir ou tratar a Covid-19.” 

A orientação atualizada e abreviada acrescenta que “Hidroxicloroquina e cloroquina estão sob investigação em testes clínicos” para uso em pacientes com o coronavírus.”

Leia a íntegra da notícia aqui:

https://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKBN21P3J9-OBRWD?fbclid=IwAR1mZIAc_tSAGmDshGOdx9Jx8c2qANMMD0i4lLxIws5G8k7kCVn85YUjRiI

(…)

Celso Galli Coimbra – OABRS 11352 – www.celsogallicoimbra.com

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Importância da vitamina D para a resistência a infecções virais: cerca de 154.000 publicações científicas

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