Deficiência de vitamina D facilita propagação da hepatite B no fígado

__

Deficiência de vitamina D facilita propagação da hepatite B no fígado. É o que mostra estudo de pesquisadores do Johann Wolfgang Goethe University Hospital, na Alemanha.

ahepatitis_virus_collage

Pesquisa sugere que a vitamina D pode ser usada como uma intervenção terapêutica para controlar o HBV.

Os resultados foram publicados na revista Hepatology.

“A vitamina D ajuda a manter um sistema imunológico saudável e não há evidência de seu papel na doença hepática inflamatória e metabólica, incluindo a infecção pelo vírus da hepatite C (HCV). No entanto, a relação entre o metabolismo da vitamina D e infecção crônica pelo vírus HBV, da hepatite B permanece desconhecida e é o foco de nosso estudo”, explica o investigador principal Christian Lange.

Entre janeiro de 2009 e dezembro de 2010, a equipe recrutou 203 pacientes com infecção por HBV que não haviam recebido tratamento prévio para a infecção. Níveis de vitamina D foram medidos a partir de cada participante.

Os resultados mostraram que 34% dos participantes tinham grave deficiência de vitamina D (menos do que 10 ng / mL), 47% tinham deficiência de vitamina D (entre 10-20 ng / mL) e 19% tinham níveis normais de vitamina D (superior a 20 ng / ml). Outras análises indicam que a concentração de HBV no sangue, conhecida como a carga viral, era um forte indicador de níveis baixos de vitamina D.

English: Johann Wolfgang Goethe University, Fr...

English: Johann Wolfgang Goethe University, Frankfurt am Main. (Photo credit: Wikipedia)

Os pesquisadores também determinaram que os pacientes com o antígeno da hepatite B (HBeAg) tinham níveis mais baixos de vitamina D  que os participantes HBeAg negativos. Flutuações sazonais inversas entre os níveis de vitamina D e de HBV foram observadas,  o que sugere também uma relação entre as duas variáveis.

“Nossos dados confirmam uma associação entre baixos níveis de vitamina D e altas concentrações de HBV no sangue. Estes resultados diferem de estudos anteriores  de  pacientes com hepatite C crônica,  que não encontraram nenhuma ligação entre os níveis de vitamina D e a concentração de HCV no sangue”, afirma Lange.

_

Os autores propõem uma investigação mais aprofundada sobre a vitamina D como uma intervenção terapêutica para controlar o HBV.

Fonte isaude.net

__

“Há uma nefasta glorificação do suicídio”

__

aCampanhaCombateSuicídio4

__

(…) o evento que figura entre os líderes de causas de morte em vários países do mundo. No Brasil, é o quarto motivo mais incidente entre os óbitos por causas externas, atrás de homicídios, acidentes de transporte e causas não identificadas.(…)

__

José Manoel Bertolote, consultor da Organização Mundial da Saúde, lança livro sobre a prevenção do suicídio e defende que se fale mais do tema

Fernanda Aranda, iG Saúde

 

Enquanto a imprensa não fala do tema, as políticas preventivas titubeiam e os médicos varrem o assunto para baixo do tapete, 1.339 pessoas do Brasil foram internadas nos dois primeiros meses do ano após tentarem o suicídio.

Os dados do banco virtual abastecido pelo Ministério da Saúde – levantados pelo iG Saúde– apontam 22 casos por dia só nos dois primeiros meses de 2013.

Em meio ao sigilo imposto para tratar do suicídio, o psiquiatra professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) , José Manoel Bertolote, quer falar aos quatro cantos do planeta.

Ele acaba de lançar um livro (O Suicídio e sua Prevenção) com as estratégias para prevenir o evento que figura entre os líderes de causas de morte em vários países do mundo. No Brasil, é o quarto motivo mais incidente entre os óbitos por causas externas, atrás de homicídios, acidentes de transporte e causas não identificadas.

Bertolote afirma que o silêncio e o tabu que marcam o assunto não impediram o surgimento de um “nefasto glamour em torno do suicídio”.

“São inúmeros sites na internet que ensinam, de forma muito didática, as pessoas a cometerem suicídio. Estes endereços eletrônicos disseminam comportamentos perigosos e precisam ser combatidos. Há uma glorificação atual da morte provocada. São músicas, clipes, filmes que apresentam o suicídio de uma forma artística, como uma moda a ser seguida”, afirma.

Para reverter o quadro, o especialista neste assunto proibido defende articulação e um debate com os líderes religiosos e com a Justiça – que ainda considera os suicidas criminosos.

Bertolate diz ainda que são necessárias mudanças na rede de saúde, com um trabalho forte para identificar os mais vulneráveis às lesões autoprovocadas.

Segundo ele, as pesquisas científicas atestam que, na maioria das vezes, há arrependimento em quem provoca a morte intencionalmente e nem sempre há chance de reverter o dano provocado.

“É penoso assistir a estes casos”. Leia a seguir a entrevista.

iG: A sociedade e a imprensa lidam com reservas com o assunto suicídio. Para a medicina o tema também é tabu?

Bertolote: Os médicos não são treinados para enfrentar a morte em geral, não só na questão do suicídio. Existe um mito de que a medicina é uma luta contra a morte. Os médicos têm uma tradição de sempre agir como se a morte fosse evitável, o que é um erro. Ninguém escapa da morte. Diante de um óbito, os profissionais reagem mal. Os estudantes não são preparados para falar sobre a morte com os seus pacientes, como se o perigo de morrer não existisse.

Talvez, isso seja fruto de um distanciamento necessário para a classe dar conta de enfrentar as situações nas emergências, nas unidades de terapia intensiva. Mas o fato é que essa distância acaba exagerada e o assunto é varrido para baixo do tapete. A questão do suicídio está inserida nesse panorama. O médico não detecta os sinais prévios do suicídio e se surpreende quando ele acontece.

Qualquer morte é uma tragédia familiar, mas quando ela é resultante das causas naturais e de doenças crônicas, com evolução lenta, há uma preparação familiar para o acontecimento. O suicídio, invariavelmente, é um acidente inesperado. Pega de surpresa e desperta dois sentimentos nos que ficam: perplexidade que desemboca em culpa. É comum os familiares se perguntarem: ‘onde eu falhei?’, ‘o que foi que eu não vi?’. Mas também é despertada uma raiva: ‘por que ele fez isso comigo’. São duas sensações, de fracasso e de raiva, que atrapalham muito a recuperação desta família.

 

Enciclopédia da Saúde : Saiba mais sobre a depressão

 

 

iG: O senhor é um grande defensor da prevenção do suicídio, tema do seu último livro. Existe uma estratégia universal de prevenção?

Bertolote: Não é possível prever todos os casos. O suicídio continua sendo um evento raro, ainda que subestimado. Isso significa que o custo para aplicar uma estratégia de prevenção universal, fazendo uma avaliação de toda a população, seria muito alto diante das estatísticas de morte não tão numerosas.

Mas o fato é que algumas pessoas são mais vulneráveis ao suicídio do que outras. E para estas vulneráveis é imprescindível que sejam dirigidas ações preventivas, o que não é feito. Já está embasado que doenças como depressão, alcoolismo e esquizofrenia aumentam a vulnerabilidade ao suicídio. Existem condições que não são doenças – no sentido do termo – mas transtornos de comportamento que também ampliam o risco. Além delas, sabemos que doenças físicas, crônicas, incuráveis e de natureza dolorosa também estão mais associadas ao fenômeno.

O exemplo da aids é contundente, com estudos muito bem-feitos. Na época em que não existiam tratamentos para o HIV, as taxas de suicídios entre os soropositivos eram muito mais altam e foram diminuindo com o surgimento de terapias efetivas contra o vírus. Hoje, sabemos que ainda é necessário um trabalho preventivo com os pacientes de aids e também com os portadores de doenças neurológicas degenerativas, certas formas de câncer e até cefaleias (dores de cabeça muito fortes) crônicas.

Outro ponto de atenção é para as demências senis, quando estão no início do quadro. Os idosos que preservam certa lucidez no começo dos sintomas também estão mais vulneráveis por não saberem lidar com as limitações impostas pela doença.

iG: Esta associação com doenças crônicas pode ser uma das explicações para os casos de suicídio estarem mais concentrados na população maior de 60 anos?

Bertolote: Sim. O suicídio é um fenômeno masculino, característico de idosos e não de jovens, apesar de também acontecer entre os mais novos. No final da vida, são acumuladas mais doenças e limitações. Elas ficam penosas com o passar dos anos e estão associadas com este fenômeno.

iG: É possível classificar o suicídio como uma doença ou um sintoma?

Bertolote: Suicídio é uma causa de morte. Existem as causas naturais, as causas acidentais, os homicídios e os suicídios. Não é uma doença. Mas é certo que é uma causa de morte frequentemente associada a certas doenças. É bom lembrar que nem todos os depressivos são suicidas, por exemplo.

iG: Um dos temores ao falar sobre suicídio é que o fato pode desencadear comportamentos semelhantes em cadeia. Sua experiência mostra que isso realmente ocorre?

Bertolote: Existe o fenômeno social da imitação e também o fenômeno do contágio. Há um emprego cada vez mais frequente de tentativas de suicídio que são mais letais, que não existiam antes. Até anos atrás não havia a facilidade existente hoje para conseguir uma arma de fogo. Com isso, aumentaram as tentativas de suicídio usando este método que acabam resultando em mortes que antes não seriam exitosas para o óbito, já que as tentativas eram menos letais.

Outra mudança que eu considero nefasta é que hoje também existe uma glorificação do suicídio. São inúmeros sites na internet que ensinam, de forma muito didática, as pessoas cometerem suicídio. Estes endereços eletrônicos disseminam comportamentos perigosos e precisam ser combatidos. Há uma glorificação atual da morte. São músicas, clipes, filmes que apresentam o suicídio de uma forma artística, glorificada.

Assim como num passado recente existiu o culto às doenças mentais, disseminados por filmes do Woody Allen, por exemplo. Virou ‘cult’ ter uma doença psíquica. Hoje, usando mecanismos muito parecidos, vejo que há uma cultura que ostenta a morte provocada como algo ‘in’, que está na moda. É algo nefasto porque as pessoas acabam embarcando nisso.

iG: O senhor considera que está glorificação é resultante de quais fatores?

Bertolote: Talvez seja um reflexo do desencanto com o contemporâneo. Digo isso sem embasamento científico nenhum ou estudo aprofundado, mas a minha avaliação é que a glorificação do suicídio é influenciada por essas transformações rápidas do mundo atual, sejam das formas de comunicação ou de tecnologia. As pessoas não se adaptam, não acompanham. A mensagem que fica é que a vida perde a graça muito fácil e neste contexto é perigoso que as músicas, os videoclipes e a arte apresentem o suicídio de maneira tão glamourizada.

Mas também existe um grupo que não sabe lidar com o sofrimento e que encara o suicídio como uma possibilidade de solução. Para estas pessoas, a morte provocada pode ser influenciada por um modelo de transmissão. Por exemplo: caso alguém de destaque, que sirva como uma referência, como um pai, um avô, um ídolo, cometa suicídio, a mensagem para esta parcela é de que este pode ser um caminho a ser seguido. Por isso, precisamos falar, sem tabus, mas de forma coerente e contundente sobre o assunto.

iG: Este modelo de transmissão é o que pode explicar vários casos de suicídio em uma família? Não existiria uma explicação genética para um núcleo familiar em que o pai comete o suicídio e anos depois o filho também, por exemplo?

Bertolote: Sim, existe esta influência da transmissão do suicídio como alternativa que pode explicar os casos em família. Outro ponto é que apesar de não herdarmos o ‘gene’ do suicídio, se herdam vários genes, que estão associados a outras doenças, que deixam a pessoa mais vulnerável e predisposta a esta causa de morte.

iG: O senhor afirma com convicção científica que parte considerável dos suicidas não quer morrer. Isso reforça a importância da prevenção?

Bertolote: O suicídio é uma situação de ambivalência. Não está em questão apenas se a pessoa quer viver ou morrer. Ela quer escapar de uma situação desagradável, angustiante, de sofrimento absoluto. E quase sempre, quando opta pelo suicídio, percebe que não é uma boa escolha.

O arrependimento está muito catalogado em todas as pesquisas que se propuseram a estudar o tema. São trabalhos de extrema qualidade, feitos no Japão, em vários países da Europa, no Islã, que entrevistaram pessoas que tentaram o suicídio, foram hospitalizadas após a tentativa, muitas em estado grave e irreversível para a sobrevivência. É penoso demais atestar que a maioria estava arrependida, desesperada ao constatar que a morte era irreversível. Enfim, todos os estudos concluem que o arrependimento é muito presente e sim reforça a necessidade de prevenção.

iG: Desde que o senhor passou a pesquisar o suicídio, quais mudanças pontuaria na forma de encarar este fenômeno?

Bertolote : A transformação mais importante, ainda em curso, é a maneira como os religiosos passaram a encarar o suicídio. Muitas religiões, independentemente do ponto de vista médico ou jurídico, consideram o suicídio um pecado imperdoável. Este é um ponto em comum do catolicismo, do judaísmo (que prevê até cemitérios diferentes para quem se mata) e do islamismo, que coloca o ato como o pior dos pecados. Enquanto estive na Organização Mundial de Saúde (OMS) insistia com frequência em trabalhar com as lideranças religiosas para que eles entendessem este fenômeno como um processo patológico em vez de punir as famílias e resignar aqueles que tentaram o suicídio como um pecador imperdoável.

Busquei informações sobre esta condenação religiosa do suicídio e constatei que há teólogos que elaboram o suicídio como pecado, mas essa determinação ficava mais a critério de cada um. Por isso, fiz inúmeras reuniões com bispos, líderes protestantes e islâmicos, do judaísmo e com muita satisfação percebia que eles ficavam menos resistentes ao tema e já vejo uma mudança de postura, de acolhimento e não de rejeição. Este comportamento por parte das religiões implica também em mudar as leis. Em muitos países, inclusive no Brasil, suicídio ainda é considerado crime. Porém, há pelo menos 30 anos, não tenho conhecimento de nenhum processo jurídico aberto para julgar um caso desses. Felizmente.

iG: Além da mudança comportamental, o senhor acredita que a estrutura de saúde também precisa ser transformada para prevenir o suicídio?

Bertolote: Sem dúvida. Os médicos precisam ser treinados para identificar os sinais prévios ao suicídio e também ficar atentos aos casos mais vulneráveis. Aqui em Botucatu (interior de SP), onde atuo por meio da Faculdade de Medicina, tomamos uma decisão: se uma pessoa comparece com sinais de depressão a qualquer unidade de saúde, seja um posto, um hospital ou um serviço de saúde da família, a orientação é para que ela seja acompanhada até um serviço especializado e não encaminhada para que faça isso com as próprias pernas. Acompanhar é diferente de encaminhar, sugerir. Se ela for apenas encaminhada, pode ser que não chegue.

Fonte: http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-05-06/ha-uma-nefasta-glorificacao-do-suicidio.html

Temperatura determina nível de liberação de mercúrio em lâmpadas fluorescentes quebradas

__

Mercúrio é um metal pesado presente em lâmpadas fluorescentes compactas e longas e que prejudica a saúde humana e o meio ambiente

 

bulb

 

 

Todos os tipos de mercúrio, assim como todos os outros tipos de metais pesados, são nocivos à saúde. E o pior é que as variantes de mercúrio também são danosas à natureza e não apenas ao ser humano. Diversos estudos mostram que o ambiente é contaminado, principalmente, pelos seguintes processos: queimas de carvão e lixo, produção de cloro e produção industrial de aço e ferro, de acordo ampla literatura científica.

Mas a contaminação do meio ambiente pelo mercúrio não é apenas industrial. O lixo doméstico contendo o metal pesado também pode afetar animais e lençóis freáticos, principalmente com o descarte incorreto de pilhas, baterias e lâmpadas de mercúrio. No caso específico das lâmpadas, o modelo padrão contém aproximadamente 20 miligramas de mercúrio, enquanto modelos mais antigos, dos anos 80, contam com 40 miligramas. São aqueles modelos de lâmpadas chamadas de fluorescentes ou mesmo as compactas.

Liberação do mercúrio

A quantidade exata de mercúrio que chega à natureza ainda é bastante debatida. Com o passar do tempo, o metal passa do estado líquido para o sólido – principalmente em forma de óxido de mercúrio (HgO)- ou se incorpora ao vidro da lâmpada. A United States Environmental Protection Agency (EPA) estima que 6% do mercúrio é lançado diretamente no ar.

Enquanto isso, estudos realizados pela Oak Ridge National Laboratory (ORNL), no estado norte-americano do Tennessee, sugerem que a quantidade liberada por lâmpadas com baixas quantidades de mercúrio – contendo em torno de 4 miligramas – gira entre 20% e 80%.

Para tentar compreender melhor a situação, o New Jersey Department of Environmental Protection (NJDEP) realizou sua própria pesquisa. Nela, foi simulado um ambiente de depósito de lixo sólido, onde foram colocadas lâmpadas de mercúrio que ainda não atingiram o fim do seu ciclo de vida. Elas foram quebradas e guardadas em pequenos contêineres para, em seguida, serem misturadas entre o lixo.

Influência da temperatura

Os resultados demonstram que a quantidade de mercúrio liberada é diretamente proporcional à temperatura do ambiente. Esse resultado já era esperado por conta da volatilidade característica desse metal. Além disso, as taxas de emissão encontradas são condizentes com as relatadas pela ORNL e, durante o processo de quebra da lâmpada, 18% do mercúrio contido nas lâmpadas é liberado.

Em temperaturas entre 4ºC e 29ºC , de 17% a 40% da substância será liberada no ambiente no período de duas semanas e aproximadamente 33% da liberação acontece nas primeiras oito horas após o processo de quebra das lâmpadas. O fato novo aqui reside na informação sobre a liberação do produto no ambiente, isto é, sua lentidão pode levar até duas semanas.

Fim das incandescentes e preço alto da LED

Imagine, portanto, que quando este tipo de material quebra em sua residência ou quando você se depara com lâmpadas inadequadamente descartadas e quase sempre quebradas em razão de sua fragilidade, os riscos associados de contaminação são elevados. Com a suspensão da produção e comercialização no Brasil das lâmpadas incandescentes em 2016, por questões de eficiência energética, as alternativas que se apresentam são as lâmpadas LED (infelizmente a um custo ainda alto) e as lâmpadas fluorescentes, longas ou compactas, e que contêm essa substância contaminante em sua composição. Este contexto nos obriga a estarmos atentos ao manuseio desses produtos e aos cuidados necessários ao seu descarte, cuja infraestrutura para coleta ainda se mostra bastante precária.

Aproximadamente 620 milhões de lâmpadas de mercúrio são descartadas anualmente nos EUA e estudos sugerem que, apenas nos EUA, entre duas e quatro toneladas do metal são liberadas. Os perigos da contaminação do mercúrio são reais e, mesmo com muitas incertezas, é claro que o descarte inapropriado desse tipo de material contribui para a degradação das condições de vida do planeta.

Fonte: http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35-atitude/1215-temperatura-determina-nivel-de-liberacao-de-mercurio-em-lampadas-fluorescentes-quebradas.html

__

 

Na Argentina, uma condenação histórica contra o agrotóxico: é causa de aborto, câncer e deformações congênitas

 

“(…) o tribunal se baseou em dados inquestionáveis: de 142 crianças moradoras de Ituzaingó que foram examinadas, 114 contêm agroquímicos em seu organismo, e em altas quantidades. Foram constatados ainda 202 casos de câncer provocados pelo glifosato, dos quais 143 foram fatais num lapso curtíssimo de tempo. Houve, em um ano, 272 abortos espontâneos. E dos nascidos, 23 sofrem deformações congênitas. Moram em Ituzaingó pouco mais de cinco mil pessoas, o que dá uma dimensão clara dos males sofridos.” (…)

__

Uma sentença determinada por um tribunal de Córdoba, a segunda província e a segunda maior cidade do país, abriu espaço e conquistou atenções: num julgamento considerado histórico, a Justiça cordobesa condenou a três anos de prisão (que serão cumpridos em trabalhos sociais) um latifundiário e o piloto de um avião que fumigou plantações de soja numa região urbana. Dois componentes químicos – endosulfán e glifosato – foram espalhados, em 2004 e 2008, nos inseticidas fumigados pelo piloto Edgardo Pancello nas plantações de soja de Francisco Parra, vizinhas ao bairro de Ituzaingó, em Córdoba.

Foi a primeira vez que a Argentina condena o uso de glifosato, produzido pela multinacional  Monsanto – a mesma que desenvolveu o “agente laranja” utilizado pelos Estados Unidos na guerra do Vietnã e produz sementes transgênicas utilizadas em vários países, o Brasil inclusive.

É o resultado de uma luta de dez anos dos moradores de Ituzaingó e de outras localidades argentinas, que denunciam as conseqüências do uso do glifosato nos agrotóxicos produzidos pela Monsanto e fumigados a torto e a direito país afora. O embriologista argentino Andrés Carrasco, que há anos denuncia os altíssimos riscos de contaminação do agrotóxico Roundup, fabricado pela Monsanto à base de glifosato, já havia antecipado, o que o tribunal de Córdoba agora concluiu: quem usa esse produto comete crime ambiental gravíssimo.

Contra todos os argumentos da Monsanto, o tribunal se baseou em dados inquestionáveis: de 142 crianças moradoras de Ituzaingó que foram examinadas, 114 contêm agroquímicos em seu organismo, e em altas quantidades. Foram constatados ainda 202 casos de câncer provocados pelo glifosato, dos quais 143 foram fatais num lapso curtíssimo de tempo. Houve, em um ano, 272 abortos espontâneos. E dos nascidos, 23 sofrem deformações congênitas. Moram em Ituzaingó pouco mais de cinco mil pessoas, o que dá uma dimensão clara dos males sofridos.

A cada ano que passa cerca de 280 milhões de litros de Roundup – ou seja, de glifosato – são despejados nos campos argentinos. São cerca de 18 milhões de hectares aspergidos ou fumigados nas plantações de soja transgênica, que significam 99% de tudo que o país produz. O mais brutal é que essa soja nasce de sementes geneticamente modificadas, produzidas pela própria Montanto. O glifosato contido no Roundb destrói tudo – menos a semente.

O glifosato continua sendo usado em campo aberto. Mas, na Argentina, já não poderá mais ser aplicado em áreas próximas às zonas urbanas.  Além de abrir jurisprudência no país, a sentença do tribunal cordobês abre um precedente importante para milhares de processos em andamento na América Latina.

No Brasil, o agrotóxico continua sendo um dos motores principais do agronegócio, crescendo percentualmente em seu rendimento mais do que o próprio agronegócio.  Em nosso país, o volume de pesticidas e agrotóxicos utilizados no campo é mais de três vezes superior ao da Argentina.   Somos campeões mundiais no uso de agrotóxicos, com consumo de cinco litros por habitante ao ano.

__

Desmatamento, corrupção e venda de lotes ameaçam a reforma agrária na Amazônia

Português: placa da vila do incra

Português: placa da vila do incra (Photo credit: Wikipedia)

__

Nos últimos anos, o Ministério Público Federal vem demonstrando, em seguidas ações judiciais, os graves problemas da política de reforma agrária implementada na Amazônia: a falta de estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se traduz em altas taxas de desmatamento, ausência de licenças ambientais, desvio de verbas públicas, venda de lotes e reconcentração fundiária (veja os processos judiciais sobre isso abaixo).

A reforma agrária é uma obrigação constitucional do estado brasileiro e, numa região como a Amazônia com altos índices de grilagem e conflitos agrários, uma política fundamental. “Mas não está sendo cumprida na região, com os assentados verdadeiramente abandonados pelo Incra e pressionados de todos os lados por grileiros, madeireiros e carvoeiros. Quem se beneficia com essa situação, são madeireiros, carvoeiros e grileiros”, diz o procurador da República Felício Pontes Jr.

“O comércio ilegal e a reconcentração de lotes decorrentes do descontrole ocupacional dos Projetos de Assentamento se deve à omissão e à má-gestão do INCRA, que descumpre a lei e sua missão institucional. Em consequência, acirram-se os conflitos agrários, como o que vitimou o casal de extrativistas Zé Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, mortos em Nova Ipixuna em 2011, por combaterem a venda de lotes e a presença de madeireiros dentro do assentamento Praialta Piranheira”, lembra o procurador Tiago Rabelo, que atua em Marabá e tem diversos processos ajuizados contra o Incra.

“O MPF continua esperando que a autarquia, em vez de negar o problema e apresentar a já desgastada saída da perseguição política, apresente soluções concretas e eficazes para os elevados números apresentados”, diz Daniel Avelino. O Incra divulgou nota em que refuta os dados, mas o MPF reafirma, com base em informações oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que o Instituto é sim responsável atualmente por um terço do desmatamento na região amazônica: desde 2010, as taxas dos assentamentos flutuam entre 26% e 31% das derrubadas.

Nos últimos anos, com a queda no desmatamento em propriedades privadas – alcançada graças aos acordos da pecuária sustentável, que trouxeram mais de 56 mil fazendas para a legalidade – as taxas dos assentamentos assumiram mais importância e já respondem por um terço das derrubadas na região amazônica, de acordo com dados de uma entidade da sociedade civil (Instituto do Homem e Meio Ambiente na Amazônia – Imazon) e duas instituições governamentais (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe – e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente – Ibama).

“O problema não é novo, mas nos últimos dois anos se criou um descompasso entre o ritmo de regularização das propriedades privadas, que sempre foram o maior vetor de desmatamento na Amazônia e foram obrigadas a entrar no cadastro público e solicitar licenças ambientais, com a quase paralisia do Incra na regularização ambiental dos assentamentos”, explica Daniel Azeredo Avelino.

O procurador lembra que o Incra chegou a assinar um acordo com a Procuradoria Geral da República, em 2003, para regularizar 4 mil assentamentos que tinham sido criados sem licenciamento ambiental. Não só a regularização não avançou, como novos assentamentos continuaram sendo criados sem licenças. A situação acabou se agravando: só no Pará existem 1061 assentamentos sem licença ambiental. Apenas 166 foram licenciados até hoje.

Velhos conhecidos – A ação judicial da semana passada se diferencia das demais por ser uma atuação coordenada em todos os estados da região amazônica, mais uma tentativa de garantir a regularização ambiental dos assentamentos, mas aponta problemas que são velhos conhecidos tanto do MPF quanto do Judiciário. Desde 2007 chegam à Justiça ações apontando a gravidade da falta de licenciamento: nesse ano, foram cancelados 99 assentamentos criados irregularmente no oeste do Pará, que chegaram a ficar conhecidos como assentamentos de papel.

No sudeste do Pará a lista de irregularidades do Incra a chegar na Justiça também é extensa e os casos de corrupção são os mais diversos. Em 2010, o MPF, com base em auditoria do Banco do Brasil, conduziu inquérito civil público com vistas a combater desvios de verbas públicas na Superintendência Regional do Instituto em Marabá, onde foram afastados dois servidores do Incra e processadas 18 pessoas, todos acusados de desviar aproximadamente R$ 10 milhões em recursos do Programa de Créditos Instalação.

Também em Marabá, já em 2012, o Incra foi recentemente processado por não combater a venda de lotes, uma das formas mais cruéis de desvirtuamento do programa de reforma agrária. Na região sudeste do Pará, onde atua a Superintendência de Marabá, já foram vendidos mais de 15 mil lotes ilegalmente, o que cria novas fazendas dentro de assentamentos e pressão intolerável de grileiros e madeireiros sobre os assentados.

__

Quando os transplantes de órgãos viram negócio

«a própria noção de humanidade está a ser menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos», afirma o The Guardian.

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2012/05/31/interpelacao-judicial-ao-cfm-a-uniao-e-ao-ministerio-publico-federal-para-esclarecer-a-irreversibiladade-da-morte-encefalica/

__

31/05/2012 por Liliana Cardoso

Quando os transplantes de órgãos viram negócio

Agora que a crise económica é, quase sempre, apontada como explicação para as coisas negativas que acontecem, mais uma vez parece servir para explicar o crescimento do negócio (ilegal) dos transplantes de órgãos. Pessoas de países como a China e Irão recorrem à venda dos seus órgãos de modo a conseguirem ganhar dinheiro. No entanto, enquanto que no Irão a actividade é legal, na China sucede o contrário.

O comércio ilegal de órgãos – principalmente de rins – tem vindo a aumentar nos últimos anos  e a crise económica que se vive parece ser a explicação para os dez mil novos órgãos vendidos por ano que acabam a ser comercializados no mercado negro. Os dados são revelados pelo jornal britânico The Guardian que cita as informações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo provas recolhidas por uma rede de médicos, os traficantes conseguem contornar as leis que pretendem reduzir o tráfico de órgãos humanos, conseguindo lucrar cada vez mais com a crescente procura de rins. Os dados estimam também que a cada hora seja vendido um órgão.

Grande parte dos doentes que precisa de um transplante de rim recorre a países como a Índia, Paquistão ou China, onde o valor pelo órgão novo pode chegar a custar 200 mil dólares. Os órgãos são quase sempre de pessoas vulneráveis e desesperadas por conseguirem ganhar algum dinheiro, mas que nunca recebem mais do que cinco mil dólares pelo seu órgão, segundo afirma o The Guardian.

As redes de tráfico de órgãos

As redes de trafico de órgãos tanto são compostas por traficantes como por médicos-cirurgiões. Há cerca de uma semana, em Israel, foram presas dez pessoas sendo que uma delas era médico. O homem é suspeito de fazer parte de uma rede internacional de tráfico de órgãos e foi acusado de extorsão, fraude fiscal e ofensas corporais graves. Também na Índia e no Paquistão foram descobertas outras redes que se dedicavam ao mesmo negócio.

O jornal The Guardian entrou em contacto com um traficante de órgãos na China que usava o slogan «Doe um rim, compre o novo iPad» para anunciar os seus serviços. Ele ofereceu 2,500 libras (cerca de 3,100 euros) por um rim e disse que a operação podia ser realizada no prazo de dez dias.

Negócios como este levaram a OMS a dizer que «a própria noção de humanidade está a ser menosprezada perante o imenso lucro obtido por aqueles que vendem órgãos», afirma o The Guardian.

 O turismo de transplantes

De acordo com Luc Noel, médico e funcionário da OMS e responsável pela monitorização das tendências de doações legais e ilegais de órgãos humanos, houve uma diminuição no turismo de transplantes por volta dos anos de 2006 e 2007. Mas, mais recentemente, «o comércio [de órgãos] pode estar a aumentar novamente. Há sinais recentes de que essa será a tendência. Há uma necessidade crescente e muito lucro à vista», continua Luc Noel, citado pelo Guardian.

Os rins constituem 75% do comércio ilegal de órgãos. Índices elevados de diabetes, pressão arterial elevada e problemas de coração são os principais motivos que estão a levar a que a procura ultrapasse a oferta.

Segundo dados da OMS, de 107 mil órgãos que foram transplantados em 95 estados membros em 2010, incluindo transplantes legais e ilegais, cerca de 69% foram rins. No entanto, os cerca de 107 mil transplantes realizados apenas satisfazem 10% das necessidades globais. Luc Noel acredita ainda que um em cada dez dos de 107 mil órgãos transplantados foi adquirido através do mercado negro. O que significa que os «gangs de órgãos», como ele lhes chama, lucraram quase onze mil vezes em 2010.

O problema está enquadrado na Declaração de Istambul, assinada em 2008 por 100 países, contra a exploração de órgãos. Desde então, várias redes de médicos da OMS têm formado grupos com o objetivo de fazerem cumprir o documento. Luc Noel defende também que a falta de fiscalização ou mesmo a falta de legislação em alguns países, facilita a vida dos que convencem pessoas pobres e vulneráveis a comercializar um órgão.

O negócio na China e no Irão

A China é um dos principais países no que diz respeito ao negócio dos transplantes, sendo os de intuito comercial ilegais. O facto de o país ter uma grande escassez de doadores pode explicar o facto de entre um milhão de pessoas a precisar de um rim, apenas cerca de cinco mil o tenham conseguido em 2011.

Os rins são os órgãos mais requisitados na China. No entanto, a escassez faz com que sejam recolhidos órgãos de prisioneiros condenados. Mas em fevereiro deste ano o ministro da Saúde Huang Jiefu anunciou que este sistema vai ser abolido em 2017, devido ao alto risco de infeções. A China está também a ser mais prudente com a pena de morte. Em 2011 cerca de quatro mil prisioneiros foram executados, o que representa menos 50% do que em 2007.

Devido às dificuldades de conseguirem um rim de um dador e aos preços elevados – cerca de 20 mil dólares -, muitos pacientes recorrem ao tráfico de órgãos, a tal economia paralela.

O Irão continua a ser dos poucos países, se não mesmo o único, onde a compra e venda de órgãos é legal. A escassez de órgãos não existe, o que existe é excesso de concorrência para quem os quer vender.

Por isso, para anunciarem os seus «serviços», os vendedores escrevem o tipo de sangue e o número de telefone nas paredes ou em cartazes de ruas próximas do hospital de Teerão. Mas devido a elevada concorrência, muitos anúncios são destruídos. Uns acrescentam a sua informação na publicidade de outros dadores e colocando tudo nas portas das casas das pessoas. Outros escrevem nas árvores pensando que assim vão atrair mais rapidamente a atenção das pessoas. E assim se faz do corpo um bem material, sujeito às típicas leis do mercado…

Fonte: http://www.e-clique.com/destaque/quando-os-transplantes-de-orgaos-viram-negocio/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=quando-os-transplantes-de-orgaos-viram-negocio
__

%d blogueiros gostam disto: