Peixes contaminados por poluição atmosférica

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O Serviço de Levantamento Geológico americano revela como a poluição por mercúrio contamina frutos do mar no Pacífico Norte. O estudo mostra, pela primeira vez, a relação entre as emissões globais de mercúrio e a contaminação de atum e outros tipos de vida marinha no oceano Pacífico Norte.

 Aumenta a concentração de mercúrio no oceano

A pesquisa realizada pelo Serviço de Levantamento Geológico (USGS, na sigla em inglês) documenta a formação de metilmercúrio  uma forma altamente tóxica de mercúrio que se acumula rapidamente na cadeia alimentar em níveis que podem provocar sérios danos à saúde de pessoas que consomem frutos do mar.  Cientistas já sabem que o mercúrio depositado da atmosfera pode ser transformado em metilmercúrio, mas os estudos se restringiram apenas à transformação em si.

O USGS mostrou que o metilmercúrio é produzido em profundidades médias das águas oceânicas, por um processo ligado à “chuva do oceano”. Algas, produzidas em águas superficiais, que recebem luz solar, morrem rapidamente e “se precipitam” oceano abaixo. Essas algas são decompostas por bactérias e a interação do processo de decomposição com o mercúrio forma o metilmercúrio.

Com a propagação dos elos da cadeia alimentar, predadores como o atum são contaminados pelo metilmercúrio contido nos peixes que consomem.

O estudo revelou a importância do longo alcance da movimentação do mercúrio no oceano que se origina no oeste do Pacífico, ao longo da costa da Ásia, avalia David Krabbenhoft, cientista do USGS e co-autor do estudo. “Pesquisadores que estudam o mercúrio normalmente procuram na atmosfera a fonte desse elemento, produzida por emissões de instalações que utilizam combustão no continente”, observa Krabbenhoft.  “Neste estudo, no entanto, a trajetória do mercúrio é um pouco diferente. Aparentemente, o recente aumento de mercúrio em amostras de água do oceano Pacífico foi provocado por emissões provenientes de partículas radioativas próximas da costa da Ásia.  As águas contaminadas são transportadas para leste por correntes de circulação oceânica de longo alcance”.

“Esse estudo inédito é fundamental para a saúde e segurança das pessoas e da vida selvagem, porque nos ajuda a entender a relação entre as emissões atmosféricas de mercúrio e as concentrações desse elemento em peixes”, avalia Ken Salazar, Secretário do Interior da administração Obama.

Cientistas preveem um aumento adicional de 50% na concentração de mercúrio no oceano Pacífico até 2050 se as taxas de emissão continuarem nos mesmos níveis. As amostras de água retiradas pelo USGS mostram que os níveis de mercúrio, em 2006 eram, aproximadamente, 30% mais altos que os medidos em meados da década de 90.

“A pesquise permite entender melhor como níveis perigosos de mercúrio se deslocam no ar, na água e nos alimentos, além de alertar sobre ameaças sérias à saúde das pessoas do mundo todo”, acrescenta Lisa Jackson, administradora da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês).

As amostras de água do Pacífico foram coletadas em 16 pontos diferentes entre Honolulu, Havaí e Kodiak, no Alasca. Também foram feitas simulações relacionando emissões atmosféricas, transporte e deposição de mercúrio em um modelo de circulação oceânica.

De acordo com Elsie Sunderland, da Harvard University, co-autora do estudo, nos Estados Unidos, cerca de 40% da contaminação por mercúrio decorre do atum pescado no oceano Pacífico. Como mulheres grávidas, que consomem esses peixes podem transmitir os efeitos da contaminação para seus filhos, a EPA e a Agência de Fármacos e Alimentos (FDA, na sigla em inglês) elaborou um guia de consumo de peixe para gestantes e mães que estão amamentando.

Os resultados desse estudo foram publicados em 1º de maio na Global Biogeochemical Cycles. Entre os autores, além de Krabbenhoft e Sunderland estão John Moreau, daUniversity of Melbourne, Austrália, William Landing da Florida State University e Sarah Strode da Harvard University.


Fonte: Scientific American Brasil

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Peixes do Pacífico estão comendo plástico

“O estudo das duas instituições levanta o temor de que o lixo, à medida que vai se introduzindo na cadeia alimentar, pode terminar sendo ingerido pelos seres humanos que ainda consomem animais.”

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Cientistas do sul da Califórnia, nos Estados Unidos, encontraram provas de que pequenos peixes do norte do Oceano Pacífico estão ingerindo plástico. O estudo desses cientistas chama a atenção para os efeitos preocupantes do lixo que flutua nas águas sobre a vida marinha em áreas remotas dos oceanos.

Em 2008, foram encontrados pedaços de plástico nos estômagos de vários peixes, na Costa Oeste dos Estados Unidos, de acordo com o estudo apresentado na semana passada pelas instituições de pesquisa Algalita Marine Research Foundation (Fundação de Pesquisa Marinha Algalita) e California Coastal Water Research Project (Projeto de Pesquisa das Águas Costeiras da Califórnia).

Cada um dos peixes tinha em seu estômago, em média, dois pedaços de plástico. Mas 83 fragmentos de plástico chegaram a ser encontrados em um único animal.

O estudo das duas instituições levanta o temor de que o lixo, à medida que vai se introduzindo na cadeia alimentar, pode terminar sendo ingerido pelos seres humanos que ainda consomem animais.

E destaca também um problema que tem chamado muito a atenção nos últimos anos: os detritos marinhos – em sua maior parte constituído de plástico – que se acumulam nas vastas correntes oceânicas conhecidas como turbilhões.

Embora as garrafas, os contêineres e as varas de pesca aos poucos se fragmentem com o impacto das ondas e a luz do Sol, os cientistas ainda não sabem se um dia esse lixo se dissolverá totalmente.

Efeitos quantificados. Os estudiosos já documentaram os perigos apresentados por esse lixo flutuante para as tartarugas, os pássaros marinhos e os mamíferos que se alimentam desse lixo ou ficam presos nos detritos. Mas, segundo os pesquisadores, o presente estudo foi o primeiro a tentar quantificar os efeitos sobre os peixes menores.

A Algalita Marine Research Foundation, instituição sem fins lucrativos com sede em Long Beach, Califórnia, que tem esse nome por causa de seu catamarã de 50 pés, realiza pesquisas científicas sobre a propagação global dos detritos marinhos, mas também luta para limitar “o rastro de plásticos” deixados pela sociedade em rios e oceanos.

O Coastal Water Research Project, baseado em Costa Mesa, também na Califórnia, é um instituto de pesquisa ambiental financiado por 14 agências governamentais diferentes.

A vasta maioria dos peixes encontrada era de peixes-lanterna, que vivem nas profundezas do oceano e sobem à superfície quando escurece em busca do plâncton. Como são um dos peixes mais comuns no oceano e uma fonte de alimento para peixes populares na pesca, como o atum e o dourado, a descoberta dos fragmentos de plástico levanta questões quanto aos efeitos sobre a vida marinha e o consumo humano.

“À medida que os pedaços grandes de plástico se fragmentam, eles vão ficando do tamanho e com a textura de um alimento natural”, disse Charles Mooore, fundador da Fundação Algalita e autor do estudo. “O que estamos observando é toda a rede alimentar sendo contaminada pelo plástico”.

Adolescentes dos Estados Unidos e de mais 13 países trocarão ideias sobre como combater a poluição provocada pelo plástico nos oceanos.

Com informações do Estadão

Leia também:

https://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/09/30/oceano-de-lixo-nos-mares-do-planeta-sacolas-plasticas-garrafas-pet-cigarros-e-embalagens-de-tabaco/

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Petrobras é condenada a pagar R$ 6 milhões por dano ambiental

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02/12/2010 – 16:38 | Fonte: MPRJ

A Petrobras – Petróleo Brasileiro S/A foi condenada em Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio da 1ª Promotoria de Tutela Coletiva de Duque de Caxias, pelo vazamento, em 2001, de resíduos poluidores da Refinaria de Duque de Caxias (REDUC). A indenização fixada pelo Juízo da 2ª Vara Cível de Caxias foi de R$ 6 milhões, que serão recolhidos para o Fundo Estadual do Meio Ambiente. A ação foi subscrita pelo Promotor de Justiça José Marinho Paulo Junior.

A decisão beneficia cerca de dez mil moradores atingidos em um raio médio de 15 quilômetros do local do vazamento, que deverão receber indenizações a partir de 50 salários mínimos. O dano ambiental foi causado por um problema técnico no interior da REDUC, registrado no dia 13 de junho de 2001 na Unidade de Craqueamento Catalítico. O problema gerou a paralisação total do sistema no dia 14, quando ocorreu um vazamento de enormes proporções, liberando cerca de 140 toneladas de poluentes na atmosfera pelo rompimento do chamado Ciclone Primário do Regenerador.

A peça danificada funcionava como um redutor de partículas poluentes no processo de reutilização do pó-bruto usado no refino do petróleo. O produto, que, no processo de refino, sofre alterações, é constituído de silicato de alumínio de terras raras, composto de éxido de alumínio e óxido de silício, com pequenas concentrações de outros componentes.

Resíduo perigoso

De acordo com a sentença, o produto não é rapidamente biodegradável e acarreta danos de curto, médio e longo prazos à saúde coletiva. A perícia realizada mostrou que partículas como essas podem se inserir na cadeia alimentar, causando lesões, inclusive a gerações futuras, contaminando alimentos e recursos hídricos. Com isso, foi demonstrado que danos ambientais e materiais foram causados à população, prejudicada no abastecimento de água, além de danos à saúde e danos morais.

Ainda segundo a sentença, o material é classificado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) como Classe I, o que significa “Resíduo Perigoso de Importação Proibida”. A perícia constatou também que, durante décadas, a empresa deixou de fazer as revisões necessárias em seus equipamentos.

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Oceano de lixo nos mares do planeta: sacolas plásticas, garrafas PET, cigarros e embalagens de tabaco

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A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou  em 8 de agosto deste ano,  Dia Mundial dos Oceanos, o relatório Marine Litter: a Global Chalenge, algo como Lixo nos oceanos: um desafio global, em tradução livre. A publicação destaca que mais de 80% do lixo disposto nos mares é formado por sacolas plásticas e garrafas PET. Com o tempo, o material se quebra em minúsculas partículas consumidas pelas menores formas de vida marinha na base da cadeia alimentar. Filtros de cigarros, embalagens de tabaco e restos de cigarro formam 40% do lixo marinho no Mar Mediterrâneo, enquanto no Equador o lixo proveniente do mercado do fumo foi responsável por mais da metade de todos os descartes encontrados na costa em 2005. Em cinco anos de pesquisa na região do Mar do Norte, pesquisadores descobriram que 95% das aves marinhas continuam plástico nos seus estômagos.

O objetivo do documento, segundo a organização, não é apenas trazer uma visão global da situação do lixo que vaga pelos mares, mas apresentar e analisar informações produzidas pelos 12 programas regionais parceiros da ONU na questão. Além disso, com a ajuda de consultores e técnicos, o relatório busca propor recomendações para resolver problemas associados ao assunto em todo o mundo. Para conferir a íntegra do relatório, clique aqui.

http://www.oeco.com.br/curtas/38-curtas/21883-oceano-de-lixo-nos-mares-do-planeta

http://www.unep.org/regionalseas/marinelitter/publications/docs/Marine_Litter_A_Global_Challenge.pdf

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