Onde há fumaça, há desmatamento

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Bruno de Amorim Maciel*

A nova lei antifumo, que entrou em vigor em São Paulo, reacendeu – para usar um termo pertinente – o debate em torno do polêmico tema. Mas por trás dessa discussão, esconde-se um problema ambiental sério, que amplia bastante o número de pessoas afetadas pelo cigarro e pela nova lei.

A estratégia das grandes corporações que lucram com a venda do cigarro é incrementar a produção e consumo nos países em desenvolvimento. Aproveitam-se da baixa escolaridade média e das menores restrições ambientais para a produção do fumo. Isso faz do Brasil o segundo maior produtor de tabaco do mundo – perdendo apenas para a China – e o maior exportador desta commodity. Só na safra de 2007/2008, o Brasil produziu 730 mil toneladas da folha de fumo, quase tudo nos três estados da região sul país.

A produção do cigarro passa pelo processo de secagem, ou “cura”, das folhas do fumo. Isso serve para retirar a umidade e o odor característico, conferindo os diferentes “sabores” ao produto. Em alguns tipos de tabaco, o processo é feito em estufa e dura até uma semana. O calor necessário para as estufas produzirem em grande escala só pode vir de um combustível abundante e barato: madeira. No caso do Brasil, boa parte dessa madeira vem da Mata Atlântica, ou seja, desmata-se em dobro: tanto para “limpar” a área de plantio, como para fazer a cura. A Organização Mundial de Saúde estima que todo esse processo consuma uma árvore a cada 300 cigarros produzidos. De posse dos dados fornecidos pelos próprios produtores e de uma calculadora de mão, podemos deduzir que, em 2008, a produção de fumo no Brasil derrubou cerca de 360 milhões de árvores. Ou seja, além de queimar (e inalar) mais de 4.000 substâncias tóxicas, os fumantes são responsáveis por cerca de 240 mil hectares desflorestados anualmente no Brasil.

Os estragos à saúde pública vão muito além daqueles diagnosticados nos hospitais das grandes cidades. Com a finalidade de aumentar a produção e garantir a qualidade exigida pelos fabricantes, os agricultores, dependentes economicamente das regras impostas pela indústria do tabaco, são obrigados a fazer dezenas de aplicações de diferentes pesticidas. Além de afetar seriamente a saúde dos trabalhadores – muitas vezes crianças – os agrotóxicos provocam contaminação do solo, corpos d’água e de toda biodiversidade a eles associados.

Aliás, até no aquecimento global o cigarro interfere. Não só pela fumaça, mas também pelo óxido nitroso proveniente dos fertilizantes nitrogenados, que são 300 vezes mais prejudiciais que o gás carbônico (CO2). Tem mais: Estima-se que cerca de 25% dos incêndios florestais sejam provocados por pontas de cigarros. Se formos rigorosos e tentarmos vislumbrar os estragos causados pelas milhares de bitucas lançadas ao vento, chegaremos à conclusão de que os problemas causados pela “cadeia do fumo” são incalculáveis. A poluição de 20 pontas de cigarro equivale à poluição de 1 quilo de esgoto. No entanto, as primeiras demoram até 100 anos para se degradar.

Impactos da nova lei

E a lei em São Paulo? Que implicação tem nisso tudo? Somente na capital do estado, existem cerca de dois milhões de fumantes, correspondentes a aproximadamente 24% da população. Todos os dados acima nos permitem fazer algumas especulações interessantes. Sabe-se que a lei restringe o fumo em ambientes coletivos. Isso pode estimular os menos viciados, ou os mais preguiçosos, a diminuir o número de cigarros fumados. Hoje, a média é de 12 cigarros por dia. Seria razoável supor que, digamos, 20% dos fumantes reduzirão pelo menos uma unidade por dia. Isso retiraria do ar paulistano a fumaça de nada menos que 400 mil cigarros diariamente. Fazendo as contas, isso representa 1.300 árvores salvas por dia. Nada mal. Por ano, são mais de 400 mil árvores, que poderiam cobrir área equivalente a cerca de 320 campos de futebol. É bem verdade que nem todas essas árvores são cortadas de matas primárias, o que minimiza o estrago. Não existem dados precisos, mas, sejamos honestos, é evidente que uma grande parcela dessa energia tem origem na pobre Mata Atlântica.

Restringir o fumo em grandes cidades não é novidade, nem no Brasil nem no mundo. Brasília, por exemplo, ajustou-se bem às novas regras sociais. Nova Iorque também viveu uma fase intensa de debates, todavia, hoje a população aprova a mudança. Até Paris se rendeu ao bom senso. São Paulo costuma ditar a moda no resto do país. Tudo leva a crer que, em breve, todo o país estará adaptado, o que poderá tornar os cálculos apresentados menos conservadores e mais interessantes. As especulações acima podem se transformar em dados científicos concretos e, melhor, em larga escala. Assim, quem sabe, a natureza também poderá respirar mais aliviada.

* Bruno de Amorim Maciel, mestre em desenvolvimento sustentável, consultor e curioso sobre as coisas do dia-a-dia.

O Eco

http://www.oeco.com.br/convidados/64-colunistas-convidados/22285-onde-ha-fumaca-ha-desmatamento

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Administração de doses elevadas de riboflavina associada à eliminação dos fatores desencadeantes no tratamento da doença de Parkinson

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Cícero Galli Coimbra – Médico Neurologista e Professor Livre-Docente
Departamento de Neurologia e Neurocirurgia – Universidade Federal de São Paulo

Em defesa da administração de doses elevadas de riboflavina associada à eliminação dos fatores desencadeantes no tratamento da doença de Parkinson do tipo esporádico
Sofrimento emocional e consumo excessivo de carne vermelha
como desencadeantes da doença de Parkinson

Prof. Dr. Cicero Galli Coimbra e Profa. Dra. Virgínia Berlanga Campos Junqueira

RESUMO

Os autores, através deste texto, não somente exercem o seu direito de resposta a críticas direcionadas publicamente por outros neurologistas ao seu estudo (Coimbra CG, Junqueira VBC. High doses of riboflavin and dietary elimination of red meat promotes recovery of some motor functions of Parkinson’s disease patients.  Braz J Med Biol Res 2003; 36:1409-1417), mas também oferecem novas evidências relativas ao valor terapêutico da correção da hipovitaminose B2 (predisposição hereditária) associada à eliminação dos fatores desencadeantes (ambientais, alimentares ou comportamentais) nos pacientes portadores da doença de Parkinson do tipo esporádico que, em contraposição ao tratamento farmacológico tradicional, constituem uma abordagem eficaz (porque direcionada à antagonização das causas da doença, não apenas ao alívio paliativo e transitório dos sintomas). Evidentemente, a demonstração do Coeficiente de Ativação da Glutationa Redutase (EGR-AC) alterado nos pacientes portadores de doença de Parkinson do tipo esporádico confirma a deficiência de vitamina B2 e inverte o ônus da prova, tornando obrigatória, sob o ponto de vista ético e técnico, a correção dos níveis desse micronutriente, ou a apresentação de dados em contrário. Também demonstram como o estresse emocional sustentado ao longo de muitos anos pode atuar como fator desencadeante (alternativo ou associado ao consumo excessivo de carne vermelha na dieta) da doença em pessoas portadoras do mesmo fator hereditário predisponente. Demonstram como o princípio da parcimônia (ou “navalha de Occam”) pode ser utilizado na compreensão da fisiopatologia da doença e no suporte à proposição de que esta abordagem efetivamente antagoniza a continuidade do processo degenerativo das células produtoras de DA. Ao final, salienta-se o conflito entre interesses econômicos e éticos que inevitavelmente emerge em decorrência do encontro de uma metodologia terapêutica simples, não onerosa, dotada eficácia largamente superior àquelas até então disponíveis, além de não ser patenteável, tornando fundamental o emprego de cautela, transparência e adesão a preceitos genuinamente científicos em manifestações relativas ao assunto.

Índice

continua:

http://www.unifesp.br/dneuro/nexp/riboflavina/

http://www.unifesp.br/dneuro/nexp/riboflavina/indice.htm

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